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Alexandre Pires é alvo de operação da PF que investiga garimpo ilegal na Terra Yanomami

O cantor e seu empresário, Matheus Possebon, já tinham sido alvos da PF na primeira fase da Operação Disco de Ouro, em dezembro de 2023

Por Estadão Conteúdo

Alexandre Pires também sobe ao palco do festival no domingo (18)

O cantor e compositor Alexandre Pires foi alvo de mandados de busca e apreensão em uma operação da Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (23) que investiga a atuação de uma organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

O grupo é suspeito de vender cassiterita extraída ilegalmente da Terra Indígena Yanomami, em Roraima. O Estadão tenta contato com a defesa do cantor.

O cantor e seu empresário, Matheus Possebon, já tinham sido alvos da PF na primeira fase da Operação Disco de Ouro, em dezembro de 2023. A Justiça Federal expediu 12 mandados de busca e apreensão e 17 para sequestro de bens e valores.

A segunda fase da Operação Disco de Ouro tem o objetivo de aprofundar investigações relacionadas à atuação de organização criminosa envolvida em lavagem de capitais, falsidade ideológica e outros delitos de caráter transnacional.

A cassiterita é encontrada na forma de rocha bruta. Ela costuma ser vendida na forma de um pó concentrado, obtido após o processo de mineração. Também é útil para a extração de estanho.

As investigações apontam para a movimentação e para a ocultação de recursos que ultrapassam US$ 48 milhões, por meio de empresas nacionais e estrangeiras, operações financeiras internacionais, utilização de contas de terceiros e mecanismos informais de compensação financeira, além de emprego de pessoas físicas e jurídicas para pulverização de recursos e dificultar o rastreamento.

Segundo a Polícia Federal, a investigação é um desdobramento da primeira fase da Operação Disco de Ouro, que apura ilícitos relacionados à cadeia de comercialização e de exportação de minério, "bem como ao emprego de documentação ideologicamente falsa para conferir aparência de regularidade a determinadas operações".

Os investigados poderão responder pelos crimes de lavagem de capitais, organização criminosa e falsidade ideológica.

De acordo com as investigações, o empresário é suspeito de financiar o garimpo. Possebon seria um dos "responsáveis pelo núcleo financeiro dos crimes", aponta a PF.

Pires fez sucesso no início dos anos 1990 com o grupo de pagode Só Pra Contrariar. Dez anos depois, decidiu fazer carreira solo. O cantor tem mais de 18 milhões de discos vendidos.

A investigação foi aberta depois que a Polícia Federal apreendeu em janeiro de 2022, quase 30 toneladas de cassiterita extraída ilegalmente na sede de uma das empresas suspeitas. O carregamento seria enviado ao exterior.

Com informações do Estadão Conteúdo.