Ministro anuncia Recife como base da Força Nacional do SUS contra impactos do El Niño
Estrutura terá meta de resposta em até 12 horas e integra plano de R$ 9,8 bilhões para enfrentar seca e calor extremo no Nordeste até 2027
O ministro da Saúde, Alexndre Padrilha, apresentou nesta quarta-feira (16), em entrevista coletiva, um plano nacional de preparação do Sistema Único de Saúde (SUS) contra os impactos do El Niño. O fenômeno climático deve atingir intensidade "muito forte" neste mês de setembro, com janela crítica prevista entre outubro de 2026 e março de 2027.
Recife será uma das nove novas bases regionais da Força Nacional do SUS no país, com meta de resposta rápida a emergências de saúde. A cidade integra a estratégia do ministério para o Nordeste, região sob risco de estiagem severa e calor extremo, que também vai receber 968 novas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e 18,7 mil cisternas como parte do enfrentamento aos impactos climáticos.
O modelo das bases regionais prevê deslocamento inicial para áreas afetadas em até 12 horas, com mobilização escalonada de equipamentos e profissionais adicionais nas primeiras 72 horas.
"As bases descentralizadas da Força Nacional do SUS não só aumentam a nossa capacidade quantitativa de responder, porque a gente faz com que em 12 horas cheguem mais profissionais a um local de emergência sanitária para apoiar a manutenção da rede, mas também são mais qualitativas, porque os profissionais ficam permanentemente ali no território, com mais relação com o gestor local e estadual", afirmou o ministro da Saúde.
Em setembro, na inauguração da base do Rio de Janeiro, Padilha já havia afirmado que que a estrutura "aumenta em até 20 vezes a capacidade de pronta resposta da Força Nacional do SUS quando acionada pelos estados e municípios".
As ações fazem parte do AdaptaSUS, plano de adaptação do Ministério da Saúde às mudanças climáticas, que prevê R$ 9,8 bilhões em investimentos até 2035, distribuídos em 27 metas e 93 ações. Entre os riscos à saúde associados ao El Niño no Nordeste, o ministério cita insegurança hídrica, doenças respiratórias e cardiovasculares ligadas ao calor, insegurança alimentar e risco de proliferação da dengue.
Além do ministro, participaram da coletiva o diretor de programa da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde, Nilton Pereira Júnior; a coordenadora-geral da Coordenação de Vigilância em Saúde Ambiental (CGVAM) do Ministério da Saúde, responsável pela coordenação do AdaptaSUS, Agnes Soares; o diretor da Força Nacional do SUS, Rodrigo Stabeli; a assessora técnica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Mariele Barbosa; e o pesquisador e ex-presidente da Fiocruz, hoje à frente do grupo Clima e Saúde da instituição, Paulo Gadelha.
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