Theatro da Paz e Teatro Amazonas são declarados Patrimônio Mundial da Unesco
Unesco afirmou que os dois teatros "foram específicos como símbolos da ambição política" e representam um legado da "Idade do Ouro" na região amazônica
O Theatro da Paz, em Belém, e o Teatro Amazonas, em Manaus, foram incluídos como Patrimônio Mundial da Unesco nesta segunda-feira (27).
"Foram específicos como símbolos da ambição política", afirmou a Unesco em seu comunicado anunciando a inclusão destes edifícios inspirados na arquitetura francesa como Patrimônio Mundial.
O comitê da Unesco, reunido na cidade sul-coreana de Busan até quarta-feira (29), destacou que ambos são um legado da "Idade do Ouro" vivida na região amazônica devido à febre da borracha entre o final do século XIX e o início do XX.
O reconhecimento estende-se à Praça da República, em Belém, e ao Largo de São Sebastião, duas praças públicas localizadas em frente a estes teatros.
Inaugurado em 1878, o Theatro da Paz “afirmou o papel estratégico da cidade de Belém como porto e capital do Estado”, detalhado pela Unesco. A cidade, com 1,4 milhão de habitantes, continua sendo um importante porto fluvial e sediou em 2025 a COP30, a maior reunião da ONU sobre mudanças climáticas.
Por sua vez, o Teatro Amazonas abriu suas portas em 1896, e "expressou a riqueza e a prestígio da futura capital da Amazônia". O imponente edifício neorrenascentista serviu de locação para o filme "Fitzcarraldo" (1982), do diretor alemão Werner Herzog.
A febre da borracha (1879-1912) trouxe uma riqueza sem precedentes para a Amazônia, a maior floresta tropical do mundo. No entanto, os historiadores também apontam que o trabalho forçado dizimou os povos indígenas da região neste período.