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Ameaças à deputada Ana Elisa seguem sem resposta após um mês do crime

Eleita pelo PT, a deputada recebeu e-mails com ataques racistas e ameaças contra ela e familiares durante a campanha por um autointitulado "supremacista branco"; Polícia Civil mantém investigação aberta

Por Nilton Vilanova

As mensagens continham ofensas racistas e ameaças explícitas de violência sexual e morte

Mais de um mês depois de denunciar ameaças de morte, estupro e ataques racistas, a deputada federal eleita por Minas Gerais Ana Elisa Santos Silva, do PT, ainda não tem informações sobre a identificação do autor das mensagens. A Polícia Civil de Minas Gerais informou nesta quinta-feira (8) que o caso permanece em apuração e não apresentou novos detalhes sobre o andamento da investigação.

As ameaças foram enviadas por e-mail em 5 de setembro, quando Ana Elisa ainda era candidata à Câmara dos Deputados. Segundo informações apresentadas pela equipe jurídica da petista, o remetente afirmou fazer parte de um grupo supremacista branco e mencionou dados pessoais da candidata e de familiares, numa tentativa de demonstrar que sabia como localizá-los.

As mensagens continham ofensas racistas e ameaças explícitas de violência sexual e morte. O caso foi registrado inicialmente como ameaça e injúria racial, após Ana Elisa apresentar à polícia capturas de tela dos e-mails. Segundo a equipe da candidata, ela já havia recebido anteriormente uma mensagem com conteúdo semelhante.

A denúncia também foi encaminhada às autoridades responsáveis pela apuração de possíveis crimes eleitorais. O episódio foi relacionado pela equipe jurídica da candidata a possíveis práticas de violência política de gênero, diante do contexto eleitoral e do conteúdo das ameaças. Na época, os advogados afirmaram ter adotado medidas policiais e judiciais para tentar identificar o responsável.

O caso ganhou repercussão durante a campanha. Outros candidatos e políticos manifestaram solidariedade a Ana Elisa, entre eles o então candidato ao governo de Minas Gerais Cleitinho Azevedo, que cobrou a identificação e a prisão do responsável pelas ameaças. As mensagens também foram denunciadas publicamente pela equipe da petista, que decidiu não divulgar integralmente todo o conteúdo por razões de segurança.

Um mês depois da denúncia, porém, a Polícia Civil (PC-MG) ainda não informou se conseguiu identificar o autor dos e-mails, se houve cumprimento de alguma medida investigativa ou se existem suspeitos formalmente apontados. Em nota, a PC-MG afirmou apenas que o caso segue em apuração e que novas informações serão divulgadas quando houver avanço.

A denúncia ocorreu menos de um mês antes de Ana Elisa ser eleita deputada federal. Aos 21 anos, a petista recebeu 524.219 votos e foi a segunda candidata mais votada de Minas Gerais, atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL). Natural de Divinópolis e estudante de Direito, ela se tornou a mulher mais jovem eleita para a Câmara dos Deputados e uma das principais novidades da bancada mineira a partir de 2027.