Bach, Concerto nº 3 em D menor

Publicado em: 12/07/2018 03:00 Atualizado em: 12/07/2018 09:01

Podemos recordar épocas de vida ou estado de espírito através de uma música, vendo uma paisagem, sentindo um perfume, ouvindo uma notícia que emociona. Retrato-me nesses sentimentos que nos levam aos lugares da infância, rever países, pontos turísticos, históricos e mais amiúde os museus sem perder a oportunidade de visitá-los. Atravessando os caminhos da Áustria, um belo país, por vales e montanhas cobertas de vinhedos, sempre subindo, passando por túneis.  O guia da viagem, de microfone em punho avisa: Vamos transpor os Alpes, por vários túneis, um deles com 14 km o maior do mundo.

Deixando os Alpes, atravessando os caminhos da Alemanha, sem perder a oportunidade, o guia turístico sugeriu passar mais tempo em Munique para visitar a Pinakothek. Foi imediata a aprovação do nosso grupo: Lucy Moraes, Léa e Normando Alves, Alba Castelo Branco, Cacau e Argileu. Medindo os passos, adentramos ao museu. Em nicho especial, destaca-se o retrato da Marquesa de Pompadour, obra do pintor François Boucher. Madame Pompadour, amante do Rei Luiz XV da França. Foi imediata a lembrança de todos nós, do cantor Carlos Galhardo, galhardamente, figurou como o conhecido Rei da Valsa dos anos de 1937. Meu pai gostava de ouvi-lo, ligava a PRA 8 Rádio Clube de Pernambuco (cuja atuação e imparcialidade comemoram esse ano o seu centenário).                                                                                                                       

Num belo final de tarde fomos levados a circular pelas ruas e canais de Veneza, museus a céu aberto. Lá, tudo é fluido, tudo brilha.  Como esquecer Morte em Veneza do grande escritor Thomas Mann, filmado ali bem próximo na praia do Lido onde ficamos hospedados em hotel, às margens do Adriático.  Em cinema próximo, fomos assistir o Musical do Coração relato cinematográfico da comovente história de Roberta Gaspare Demitre, interpretada pela atriz Meryl Streep.

Roberta é uma professora de violino empenhada, com otimismo, em congregar em Nova Iorque, os bairros do Bronx e do Harlem, áreas de preconceito racial, para instalar a sua escola de violino aos meninos pobres e rebeldes, ensinando-lhes música erudita: Bach, Mozart, Beethoven. A professora tem a visão de que qualquer criança poderá tocar esse  instrumento.  Basta  tocar  com o coração.

Para manter o seu projeto comprou 50 violinos numa lojinha grega, dando estímulos aos alunos mais carentes, que não podiam comprar o instrumento. Roberta Gaspare Demitre por mais de dez anos lutou para manter o seu programa. Como prêmio, chegou-lhe o honroso convite para levar os seus alunos ao palco do majestoso Carnegie Hall, de Nova Iorque, para se exibirem no programa Concerto da Primavera.

O teatro foi inaugurado em 1891 com o concerto de Peter Tchaikovsky, na plateia, atentos e orgulhos, os pais dos alunos. Os violinos dos meninos da Escola de Roberta Gaspare Demitre soaram em conjunto, todos encantando os espectadores, com o Concerto nº 3 in D menor de Bach, com final apoteótico.

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