Olinda recebe ações gratuitas de valorização da cultura do caboclinho
Artistas e brincantes Iara Campos e Íris Campos levam ações gratuitas a Olinda, nesta sexta-feira (30), pelo projeto "Circulação Ancestral"
Publicado: 29/10/2026 às 18:45
Caboclinho e ancestralidade indígena conduzem programação gratuita em Olinda (Foto: Ashley Melo)
As artistas e brincantes Iara Campos e Íris Campos realizam duas ações abertas ao público no Centro Cultural Coco de Umbigada, no bairro do Guadalupe, em Olinda, nesta sexta-feira (30). Às 14h, elas promovem a “Oficina de Caboclinho” e às 19h, apresentam o espetáculo “Arreia”, que tem direção de criação do mestre Paulinho 7 Flechas, do Caboclinho 7 Flechas. “Arreia” leva à cena o imaginário que compõe o Caboclinho. As artistas têm uma relação longeva e atuante no brinquedo popular: elas integram o 7 Flexas há 20 anos.
As atividades são gratuitas e integram o projeto “Arreia - Circulação Ancestral”, que ainda irá a Escada, dia 7 de novembro, para se apresentar junto ao povo Marikito Tapuya, ao qual as artistas pertencem e que realiza um processo de retomada cultural e territorial na Zona da Mata Sul de Pernambuco. Em breve, o projeto também viajará à Aldeia Fulni-ô, em Águas Belas. A circulação conta com incentivo da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), do Ministério da Cultura, por meio da Secretaria de Cultura de Pernambuco.
Para contar as narrativas que povoam o caboclinho, “Arreia” se inspira no universo dos sonhos do brinquedo popular. As artistas partiram de depoimento do Mestre Zé Alfaiate, fundador do Caboclinho 7 Flexas do Recife - ele conta que, num sonho, recebeu a missão do Caboclo 7 Flexas, de quem era devoto, para criar a agremiação, que desde 2021 é Patrimônio Vivo de Pernambuco.
Ao mesmo tempo em que reverencia os antepassados do caboclinho, “Arreia” se situa no hoje, ao propor olhares de resistência das culturas indígenas dos povos do Nordeste. Manifestação ancorada nestas culturas e, principalmente, no culto à Jurema Sagrada, o caboclinho é, desde 2016, Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
“‘Arreia’ é a realização de um sonho, é o nosso desejo de honrar, enquanto integrantes, a história do Caboclinho 7 Flexas do Recife. O espetáculo nos liga às nossas memórias ancestrais”, diz Iara Campos. “É também a expressão do nosso carinho e respeito pelo Mestre Zé Alfaiate, da amizade e confiança em Paulinho 7 Flexas, filho de Mestre Zé, e a irmandade com todos que integram e integraram o Caboclinho”, completa Íris Campos.
Trajetória - Idealizado em 2020, durante a pandemia da Covid-19, para exibições online, “Arreia” foi redesenhado para plateias e iniciou, pelo Recife, uma circulação de oito apresentações gratuitas, por meio do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura) do Governo do Estado de Pernambuco. Após a capital, o espetáculo ocupou o palco do Teatro Apollo, em Palmares, na Mata Sul, a sede do Caboclinho Canidé de Goiana, além da sede do Caboclinho 7 Flexas do Recife, entre outras circulações.
SERVIÇO
“Oficina de Caboclinho” - dia 30 de outubro, às 14h
Apresentação de “Arreia” - dia 30 de outubro, às 19h
Centro Cultural Coco de Umbigada (rua João de Lima, nº 42, Guadalupe, Olinda)
Gratuitas