"O Agente Secreto" é superado por "Valor Sentimental" e "pecadores"; Brasil volta sem prêmios no Bafta
Além de "O Agente Secreto", nomeado em duas categorias, Brasil também concorria a Melhor Documentário e Fotografia
Publicado: 22/02/2026 às 17:48
Wagner Moura no tapete vermelho do Bafta (Divulgação/Bafta)
O longa brasileiro "O Agente Secreto", dirigido por Kleber Mendonça Filho, não saiu vencedor nas categorias de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Roteiro Original no Prêmio da Academia Britânica de Cinema, o Bafta. O resultado foi anunciado neste domingo (22/2), em cerimônia realizada em Londres. Apelidado de Oscar Britânico, o Bafta é uma das principais premiações do cinema internacional.
O filme pernambucano foi superado por "Valor Sentimental", na categoria de filme estrangeiro, e "Pecadores", em roteiro. O ator Wagner Moura, vencedor do Globo de Ouro como Melhor Ator em Filme de Drama e indicado ao Oscar de Melhor Ator, ficou de fora da seleção, mas marcou presença na cerimônia.
O Brasil também havia sido indicado ao Bafta nas seguintes categorias:
- Melhor roteiro original, com "O Agente Secreto"; (Vencedor: "Pecadores");
- Melhor filme de língua não-inglesa, com "O agente secreto"; (Vencedor: "Valor Sentimental", Noruega);
- Melhor documentário, com "Apocalipse nos trópicos"; (Vencedor: "Mr. Nobody against Putin");
- Melhor fotografia, com Adolpho Veloso em "Sonhos de trem". (Vencedor: "Uma batalha após a outra").
O Bafta é um termômetro para o Oscar?
Apesar da relevância, especialistas ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que o Bafta está longe de ser um termômetro do Oscar — e décadas de histórico sustentam essa avaliação, inclusive em anos em que brasileiros estiveram na disputa.
Para começar, a corrida americana é mais ampla: além de Melhor Filme Internacional, O Agente Secreto aparece nas categorias de Melhor Filme, Melhor Direção de Elenco e Melhor Ator, para Wagner Moura. Costa não está na disputa, mas Veloso concorre.
Filmes brasileiros já ganharam um e perderam o outro — e vice–versa
Ser indicado, premiado ou esnobado pelo Bafta diz pouco sobre as chances de um filme no Oscar, já que o corpo de votantes de cada premiação é diferente.
Na temporada passada, Ainda Estou Aqui — drama de Walter Salles protagonizado por Fernanda Torres — deu ao Brasil seu primeiro Oscar, mas não teve o mesmo desempenho no Bafta.
A premiação britânica chegou a indicar o longa — sobre o deputado Rubens Paiva, morto pela ditadura militar —, mas deu o troféu de Melhor Filme em Língua Estrangeira a Emilia Pérez.
O inverso também já aconteceu. Em 1999, Central do Brasil, outro título de Salles, este com Fernanda Montenegro, venceu o Bafta na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira, mas não teve o mesmo destino no Oscar, concorrendo na mesma categoria.
Em 2003, algo semelhante ocorreu com Cidade de Deus, de Fernando Meirelles e Kátia Lund: o filme ganhou o Bafta de Melhor Edição, pelo trabalho de Daniel Rezende, mas saiu sem estatuetas da cerimônia americana.
Confira as informações no Correio Braziliense.