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NOVELA

Carla Salle fala sobre sua experiência em 'Guerreiros do Sol'

"O trabalho do ator é, na essência, uma pesquisa constante", diz ztriz Carla Salle em conversa com o Viver

Allan Lopes

Publicado: 30/08/2025 às 06:00

 /Foto: Estevam Avellar

(Foto: Estevam Avellar)

A novela Guerreiros do Sol, disponível no Globoplay, ainda ressoa no coração e na memória da atriz Carla Salle. Com raízes em Serra Talhada, ela reviveu os relatos da família que ouviu na infância em Soraia, uma mulher do sertão flagelada pela seca. Quando soube que uma equipe da Globo percorria as ruas da cidade da sua família em busca de locações para uma nova produção, Carla sentiu algo além da curiosidade, mas um chamado, o qual decidiu atendê-lo prontamente.

Como qualquer um de nós faria diante de uma oportunidade, ela agarrou a sua. “Sou muito de correr atrás”, admite, sem cerimônias, em conversa com o Viver. Mas sua investida foi além do Google: estudou o livro Guerreiros do Sol, de Frederico Pernambucano, pesquisou a fundo o sertão dos anos 1920 e, assim, se armou de conhecimento. Depois, procurou diretamente os diretores George Moura e Sérgio Goldenberg, com quem já havia colaborado em Onde Nascem os Fortes.

A preparação também se beneficiou da troca intensa com os colegas nordestinos, que compunham cerca de 80% do elenco. Entre eles, os pernambucanos Irandhir Santos e Pedro Wagner contracenaram bastante com Carla, sendo este último um verdadeiro “consultor” de gírias e expressões da época para a atriz. “Cada um trouxe contribuições valiosas para além do texto”, aponta ela, que vive a expectativa da chegada do primeiro filho com o ator Gabriel Leone.

 

  - Estevam Avellar
(crédito: Estevam Avellar)

Além disso, filmar em locações reais – no caso em Piranhas, Alagoas – aprofundou ainda mais a conexão de Carla com a história e o universo de Soraia. A atriz é descendente de um coiteiro de Lampião, ou seja, alguém que deu asilo ao cangaceiro. “Não é algo de que a família se orgulha, mas é um episódio que atravessa nossa história", explica a atriz. O resultado foi uma personagem que persegue seus sonhos em um contexto no qual as mulheres eram submetidas a restrições severas e silenciamentos.

Na trama, esse espírito se revela até o último capítulo. Durante um tiroteio na fazenda do vilão Arduíno, Pente Fino (Pedro Wagner) tenta escapar com a mulher do patrão, mas é morto por um jagunço. Soraia, porém, toma as rédeas do próprio destino: foge sozinha, levando o dinheiro do marido. “Assim como as outras mulheres da série, ela carrega uma força inabalável e a determinação de seguir adiante”, exalta Carla.

Versátil, Carla Salle domina diversas linguagens dramáticas. Em Rio Connection (Globo/Sony), explorou a atuação em inglês. No teatro, brilhou como a aristocrata Viola em Shakespeare Apaixonado (2024), dirigida por Rafael Gomes. E no musical Lazarus (de David Bowie), ao lado de Jesuíta Barbosa, revelou seu talento musical sob direção de Felipe Hirsch. “O trabalho do ator é, na essência, uma pesquisa constante: coletar memórias, histórias e vivências e transformá-las em poesia”, diz. Agora, com Soraia, ela acrescenta mais um capítulo memorável a essa trajetória.

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