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PROCESSO

"Acho que foi teu ex-marido que matou": mensagens revelam conversas entre réus do caso Esther

Diario de Pernambuco teve acesso exclusivo a diálogos entre Fabiano Rodrigues de Lima e Uilma Ferreira dos Santos sobre o desaparecimento e a morte de Esther Isabelly, de 4 anos

Nicolle Gomes

Publicado: 21/10/2026 às 06:00

Mensagem enviada por Fabiano Rodrigues de Lima para Uilma Ferreira dos Santos/Foto: Reprodução

Mensagem enviada por Fabiano Rodrigues de Lima para Uilma Ferreira dos Santos (Foto: Reprodução)

“Acho que foi teu ex-marido que matou a menina”. A mensagem, enviada por Fabiano Rodrigues de Lima a Uilma Ferreira dos Santos cerca de 40 minutos após a localização do corpo da menina Esther Isabelly, de 4 anos, está entre as conversas obtidas com exclusividade pelo Diario de Pernambuco. Os dois são réus no processo que apura o assassinato da criança, encontrada morta em uma cacimba em São Lourenço da Mata, no Grande Recife, em outubro de 2025.

Fabiano e Uilma respondem por ocultação de cadáver e fraude processual. Segundo a acusação, os dois teriam alterado intencionalmente o estado do imóvel onde Esther foi encontrada para acobertar Fernando Santos de Brito, ex-companheiro de Uilma e apontado como autor do homicídio. Os três negam envolvimento no crime.

Fernando e Uilma moraram juntos em um imóvel vizinho ao de Fabiano, separados por uma parede. O processo também reúne mensagens anteriores ao crime que indicam contato entre os três, inclusive sobre questões relacionadas ao aluguel dos imóveis.

As conversas - que estão anexadas ao processo do caso - foram extraídas dos celulares de Fabiano e Uilma durante a investigação e revelam uma sequência de mensagens, áudios e ligações trocados no dia em que o corpo da criança foi localizado.

Naquela manhã, Fabiano procurou Uilma para saber se Esther havia sido encontrada. “Uilma, mulher, bom dia. Me diz alguma coisa se essa menina apareceu”, disse em áudio enviado às 6h15. Quatro minutos depois, voltou a perguntar: “E aí, Uilma, a menina apareceu ou não?”.

Os registros também apontam uma chamada de voz entre os dois às 6h19, com duração de aproximadamente 14 minutos.

Às 8h06, Fabiano enviou um “Oi” para Uilma, que respondeu às 8h49. Em seguida, foram registradas duas ligações, às 8h51 e 8h56, com duração de 43 e 27 segundos, respectivamente.

Logo depois, às 8h57, Fabiano voltou a perguntar, em áudio: “Já pegaram a menina já?”. Uilma respondeu, relatando uma informação que teria recebido sobre o possível paradeiro de Esther.

“Não pegaram a menina. O rapaz ligou e disse que esse cara ‘tava’ com a menina no braço, indo num ônibus de sentido a Casa Amarela. Mas a descrição da menina todinha, a roupa do cara todinha, camisa azul e calça preta. [...] Dona Maria me disse agora, e disse que não tentaram entrar lá na tua casa não. Até a repórter ‘tá’ lá”, afirmou.

Às 9h09, Fabiano respondeu: “Agora é foda, né? Agora é foda, né?”. Segundo os registros apresentados no processo, não houve novas mensagens entre os dois até a localização do corpo.

“Me conta o babado”

Por volta das 13h, após Esther ser encontrada morta na cacimba do imóvel, Fabiano voltou a procurar Uilma. A primeira tentativa de ligação não foi atendida. Em seguida, ele enviou um áudio perguntando sobre a descoberta. “Me conta o babado. Encontraram a menina morta foi?”, questionou.

Sem obter resposta, Fabiano insistiu nas ligações. Os registros apontam sete chamadas não atendidas, realizadas às 13h01, 13h02, 13h06, 13h07, 13h11, 13h17 e 13h31.

Em outro áudio, ele mencionou Fernando Santos de Brito como possível responsável pela morte da criança e relatou danos à própria residência.

“Uilma, pelo amor de Deus, mulher. Essa desgraça, acho que foi teu ex-marido que matou a menina. E agora, eu vou fazer o que? Quebraram tudo na minha casa”.

Às 13h47, Fabiano tentou novamente falar com Uilma, sem sucesso. “Uilma, pelo amor de Deus. Ô, Uilma, atende esse telefone”, pediu em outra mensagem, antes de realizar mais uma ligação não atendida.

Um minuto depois, segundo os registros, Uilma bloqueou Fabiano. Ele ainda tentou entrar em contato por telefone e enviou as mensagens “Oi” e “Fala”, que não foram entregues, conforme a análise pericial.

Dados telefônicos

Além das mensagens, a investigação analisou registros telefônicos e dados de localização dos aparelhos dos acusados.

Segundo os documentos do processo, a perícia identificou que os dados de localização do celular de Uilma eram compatíveis com o endereço onde Esther foi encontrada. Também foram verificadas três ligações telefônicas no dia do desaparecimento da criança, às 7h30, 10h20 e 12h24.

Em relação ao aparelho de Fabiano, os registros apontam uma ligação realizada no dia do desaparecimento, às 18h02, com duração aproximada de 54 minutos. Ainda conforme os documentos, os dados de localização do celular também eram compatíveis com o endereço do imóvel onde o corpo da menina foi localizado.

O que diz a acusação

Para o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), as mensagens e os demais elementos reunidos durante a investigação sustentam a acusação de envolvimento de Fabiano e Uilma em tentativas de encobrir o crime.

“Em sede de investigação, ficou evidenciada a tentativa de encobrimento promovida por FABIANO e UILMA, os quais em esforço conjunto, procederam com a limpeza e retirada de objetos do interior do imóvel”, afirmou o MPPE, ao pedir que os acusados sejam submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri.

O órgão também destacou que o quarto que teria sido lavado era utilizado por Fernando e Uilma. No local, a Polícia Científica identificou vestígios de sangue humano em uma das paredes, compatíveis com o perfil genético de Esther.

As conclusões apresentadas pelo MPPE integram a tese da acusação, contestada pelos réus, que negam participação no crime. O processo ainda aguarda decisão judicial sobre o encaminhamento dos acusados ao Tribunal do Júri.

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