Quem era Esther Isabelly, menina de 4 anos encontrada morta em cacimba há um ano
Esther Isabelly tinha 4 anos quando foi encontrada morta em uma cacimba, em 21 de outubro de 2025. A criança é descrita por familiares como carinhosa e animada
Publicado: 21/10/2026 às 06:00
Esther Izabelly Pereira da Silva foi morta aos 4 anos de idade de forma brutal (Foto: Maurício Ferry/DP Foto)
Depois de quatro filhos homens, a dona de casa Fernanda Pereira Ramos já não tinha mais esperança de ser mãe de uma menina. A chegada de Esther Isabelly foi uma surpresa. Ela conta que, ao descobrir que teria uma garota, se preparou como pôde. “Todo mês eu recebia o Bolsa Família e comprava um brinquedinho. Ela tem brinquedos de uma casinha, mas não chegou a brincar”, lamenta.
Até o 5° mês de gestação, Fernanda acreditava que seria outro menino, mas o destino desmentiu a intuição. “Eu não sabia se eu ria ou chorava. Ali eu tomei como se fosse um choque”, conta com um sorriso desajeitado.
Pouco mais de 4 anos depois, em outubro de 2025, Esther foi assassinada. Uma das últimas coisas que a menina fez antes de morrer foi justamente brincar. Ela estava com dois irmãos, de 7 e 8 anos, quando desapareceu. No dia seguinte, teve o corpo encontrado em uma cacimba, perto de onde morava com a família no bairro do Pixete, em São Lourenço da Mata, no Grande Recife.
Hoje, os pais e os irmãos de Esther vivem em outro lugar, a cerca de 650 metros de onde tudo aconteceu. “A gente não ia conseguir morar ali”, explica a mãe.
Mesmo sem nunca ter morado na nova residência, a menina está presente no espaço. Uma imagem de Esther bebê recepciona quem entra na sala pequena com paredes de tinta vermelha descascada.
O banner, de mais ou menos um metro, mostra Esther no ensaio do aniversário de “dois aninhos”, como tem escrito na peça. Na gravura, um olhar atento e um sorriso contido marcam a expressão da criança.
Na parede direita, uma prateleira sustenta porta-retratos com fotos dos cinco filhos da família. No meio deles, Esther, a caçula. A mãe conta que os registros foram feitos em agosto de 2025, cerca de dois meses antes do crime.
“[Era vaidosa] Queria botar batom, aí eu comprei um batom bem clarinho para ela”, relembra a mãe sobre a foto.
Para Fernanda, as fotografias guardam lembranças de uma menina carinhosa, que gostava de ficar perto da família.
“Todo dia ela me acordava, me dando um beijo, dizendo: ‘Mamãe, eu te amo’”, conta. Segundo ela, Esther repetia a frase várias vezes, até receber resposta. Também gostava de fazer carinho na mãe.
Esther gostava de ir à praia, do mar e de piscinas, afirma Fernanda. Ela recorda que precisou reunir forças para voltar a levar os outros filhos a passeios depois da morte da menina. Mesmo diante da própria dor, diz que sabe que as outras crianças precisam continuar vivendo a infância.
A caçula sequer concluiu todas as fases da vida de uma criança. Morreu antes mesmo de entrar na escola, de aprender a escrever o próprio nome, de pedalar uma bicicleta sozinha ou a amarrar os próprios cadarços.
Fernanda conta que guardava vídeos de outras mães arrumando os filhos para o primeiro dia de aula, para reproduzir as cenas quando chegasse a vez da menina.
A rotina da família fazia com que Fernanda precisasse levar os filhos à escola sem ter com quem deixar Esther. Ela diz que, às vezes, pegava a menina ainda dormindo, e saía com ela no colo. Em outros momentos, a caçula acordava durante o caminho e queria acompanhar os irmãos.
“Eu queria que ela fosse uma advogada. Mas o que ela quisesse ser, eu ia apoiar ela. O que eu pudesse fazer por ela, eu ia fazer”, afirma Fernanda, com uma foto da filha em mãos. Era uma expectativa entre tantas que acompanhavam o crescimento da menina.
Em 20 de outubro de 2025, Esther desapareceu no Campo do Botafogo, na região onde vivia. Ao perceber a ausência da filha, Fernanda lembra que começou a procurá-la. Familiares e moradores da região também participaram das buscas.
No dia 21 de outubro, após 21 horas de buscas, o corpo da garota foi encontrado. A morte interrompeu a infância que Fernanda imaginava acompanhar, desde o primeiro dia de aula até a escolha da profissão.
Três pessoas respondem ao processo do assassinato de Esther. A motivação do crime ainda é um mistério que cerca a memória da criança.
A ausência de Esther permanece na rotina da casa. Fernanda conta que sente falta da filha todos os dias desde então. “Ele tirou um pedaço de mim”.