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Filhote de tubarão-tigre é flagrado abrindo a boca dentro da barriga da mãe em Noronha

Registro feito pela UFRPE mostra animal ainda no útero e ajuda pesquisadores a identificar fase final da gestação

Adelmo Lucena

Publicado: 06/10/2026 às 22:32

Filhote de tubarão-tigre é flagrado abrindo a boca dentro do ventre da mãe em Fernando de Noronha/Foto: Reprodução/Whatsapp

Filhote de tubarão-tigre é flagrado abrindo a boca dentro do ventre da mãe em Fernando de Noronha (Foto: Reprodução/Whatsapp)

Um tubarão-tigre ainda dentro do ventre da mãe foi flagrado abrindo a boca durante um exame de ultrassonografia. O registro foi feito por pesquisadores do Projeto Ecotuba, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), que acompanham a reprodução dos animais no arquipélago.

A ultrassonografia permitiu observar o filhote e avaliar o estágio da gestação. Segundo a pesquisadora e pós-doutoranda bolsista pela Facepe, Mariana Rêgo, os cálculos feitos pela equipe indicam que a fêmea está nos últimos períodos de uma gestação que dura aproximadamente um ano e meio.

Apesar do exame indicar que o nascimento está próximo, pesquisadores nunca conseguiram acompanhar diretamente um parto de tubarão-tigre em Fernando de Noronha. Também não foram encontrados, até agora, filhotes recém-nascidos que apresentassem marcas capazes de indicar um nascimento recente no arquipélago.

O acompanhamento por ultrassom é realizado pela equipe há cerca de dois anos. A tecnologia mudou a forma como os pesquisadores conseguem investigar a reprodução dos animais, já que permite observar o interior do corpo sem que seja necessário matar o tubarão.

“Então, anteriormente, para entender se o tubarão estava grávido, era com ele morto ou fazendo um exame de sangue, para poder fazer a dosagem hormonal. E o exame de ultrassom traz essa vantagem nessas técnicas não letais para quem trabalha com esses animais”, explicou Mariana.

Além de identificar a gravidez, o procedimento possibilita observar o desenvolvimento do embrião e verificar eventuais alterações. A equipe também trabalha para ampliar o conhecimento sobre os indicadores hormonais relacionados à gestação dos tubarões.

A investigação ocorreu a partir da observação de um comportamento recorrente dos tubarões nos Alagados dos Tubarões. Os animais costumavam se concentrar na área, mas os estudiosos ainda não tinham uma explicação definitiva para a aglomeração.

Segundo Mariana, registros da literatura científica apontavam que a permanência dos animais no local poderia estar relacionada ao aquecimento da região abdominal e ao desenvolvimento dos embriões. Os exames feitos pela equipe ajudaram a relacionar o comportamento à reprodução.

“Quando a gente capturou eles, a gente passou ultrassom e viu que elas estavam grávidas. Então, foi realmente confirmando o conhecimento empírico da população de Fernando de Noronha”, afirmou.

O monitoramento dos Alagados dos Tubarões começou em junho deste ano e passou a integrar as informações obtidas nas demais ações realizadas pelos pesquisadores ao longo do ano.

A pesquisa da UFRPE sobre os tubarões em Fernando de Noronha já dura 12 anos e durante as expedições de barco, os pesquisadores capturam os animais para coletar informações, instalar transmissores e acompanhar os deslocamentos.

Com os dados reunidos ao longo dos anos, a equipe consegue observar diferentes aspectos da vida dos tubarões no arquipélago, incluindo seus movimentos e períodos de concentração.

“Há dois anos a gente está fazendo esses testes. A gente consegue, através do exame de ultrassom, ter o entendimento do animal. A gente consegue ver exatamente se as fêmeas estão grávidas, se há alguma deformação”, disse.

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