São João em Pernambuco consumiu R$ 310,7 milhões em verbas, calcula Ministério Público
Preço médio dos cachês foi de R$ 52,6 mil segundo o Painel de Festejos Juninos, mas valores pagos a alguns artistas chegam R$ 1,5 milhão por show
Publicado: 06/10/2026 às 21:32
Wesley Safadão recebeu R$ 1,5 milhão de cachê por show nos municípios de Caruaru, Araripina, Arcoverde, Carpina, Petrolina e Surubim (Foto: Janaína Pepeu/ Prefeitura de Caruaru/ Divulgação)
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE), através do Painel de Festejos Juninos, contabilizou gastos de R$ 310,7 milhões de recursos públicos em programações realizadas em 184 municípios e no Distrito de Fernando de Noronha, de 1º de abril a 2 de julho.
O investimento ultrapassou cerca de R$ 1 milhão do valor empregado na mesma época, em 2025. Esse acréscimo em 2026, entretanto, representou um aumento de apenas 0,34% em relação aos R$ 309,6 milhões pagos no ano anterior, quando a despesa teve aumento de 52,34% comparada a de 2024 (R$ 203,2 milhões).
O preço médio dos cachês artísticos em 2026 chegou a R$ 52,6 mil, significando reajuste de 7% em relação ao ano anterior. Em 2025 a remuneração média por show foi R$ 49,2 mil, 27,7% mais cara que os R$ 38,5 mil pagos em 2024.
O coordenador do Centro de Apoio Operacional em Defesa do Patrimônio Público e do Terceiro Setor do MPPE, Promotor de Justiça Hodir Flávio de Melo, se referiu às despesas totais como estáveis no nível de investimento. "Observa-se que, embora não tenha havido redução dos gastos, o crescimento verificado em 2026 foi praticamente nulo quando comparado ao incremento verificado entre 2024 e 2025, indicando uma estabilização do nível de investimentos em contratações artísticas", destaca.
Quanto aos cachês, Hodir considera que a iniciativa do MPPE, de orientar as Promotorias de Justiça a ficarem atentas a reajustes acima da inflação, contribuiu para uma menor variação. Em números absolutos, as apresentações mais caras alcançaram R$ 1,5 milhão por show.
Foram 3.367 artistas contratados para 5.897 apresentações nas festas juninas de 2026, registros também menores do que em 2025, quando 3.555 artistas e 6.290 apresentações foram contabilizados. Ao consultar o Painel, é possível identificar, por município, as programações com emprego de maior volume de recursos e o valor do cachê por atração.
De acordo com o Promotor de Justiça Hodir Flávio de Melo, "a análise comparativa de 2024, 2025 e 2026 demonstra que o principal movimento de expansão dos gastos ocorreu nos dois primeiros anos, enquanto 2026 consolidou o patamar de investimentos alcançado, sem apresentar redução das despesas, mas com crescimento residual, indicando uma tendência de estabilidade nos valores globais destinados às contratações artísticas dos festejos juninos”.
O promotor ainda destaca que "esses indicadores subsidiam o acompanhamento da evolução dos gastos públicos e a análise da razoabilidade dos investimentos realizados”, que deve ser feita pelos órgãos de controle e a sociedade.
A plataforma foi criada pelo Ministério Público Estadual em 2024 e permite que os gestores públicos e a população acompanhem os gastos com shows, arrecadação tributária e fontes de investimento nos festejos.
Os dados são repassados ao CAO Patrimônio Público voluntariamente e devem ser informados obrigatoriamente ao Tribunal de Contas do Estado, parceiro do Painel do MPPE, assim como o Ministério Público de Contas e a Amupe.