Grupo criminoso investigado por fraude fiscal em Pernambuco mantinha mais de R$ 1 milhão em carros de luxo
Além de carros de luxo, Operação Cortina de Fumaça conseguiu recuperar cerca de R$ 58 milhões, entre autuações e bloqueios, do grupo criminoso responsável por fraude fiscal milionária; dados foram divulgados em entrevista coletiva da Polícia Civil nesta quinta (7)
Publicado: 07/05/2026 às 13:31
Mercedes apreendida durante Operação Cortina de Fumaça (DIVULGAÇÃO/PCPE)
Quatro carros de luxo, que somados superam R$ 1 milhão, R$ 32 milhões autuados diretamente pela Secretaria da Fazenda durante fiscalizações e R$ 26 milhões bloqueados pela Justiça.
Estes foram alguns dos dados fornecidos pela Polícia Civil de Pernambuco durante a entrevista coletiva, no final da manhã desta quinta-feira (7), fruto das investigações da Operação Cortina de Fumaça.
Deflagrada no dia anterior, a ação cumpriu 18 mandados de busca e apreensão no Recife, Camaragibe, Caruaru e Bezerros, além da realização simultânea de ações fiscais desencadeadas pela Sefaz-PE em empresas do grupo investigado.
O alvo da operação é quadrilha voltada à prática de crimes contra ordem tributária, lavagem de capitais e falsidade ideológica.
Conforme informações repassadas durante a coletiva, a quadrilha gerou um prejuízo aos cofres públicos superior a R$ 132 mil, valor que pode aumentar a partir de novas análises.
A dívida foi sendo formada ao longo de, aproximadamente, 10 anos por um grupo distribuidor de alimentos, com atuações na Ceasa do Recife e de Caruaru.
Durante as fiscalizações, a Secretaria da Fazenda autuou R$ 32 milhões. Já Justiça chegou a bloquear quase R$ 27 milhões.
Durante o cumprimento dos mandados da última quarta-feira, os agentes apreenderam quatro veículos de luxo: dois da marca Toyota, um Audi e um Mercedes.
Só o somatório do valor dos automóveis supera a quantia de R$ 1 milhões.
Como acontecia a fraude
A fraude fiscal era operacionalizada por meio da constituição de empresas fictícias cujo objetivo era a prática reiterada da sonegação fiscal. Ela emitiam notas fiscais visando a acobertar a circulação de mercadorias vendidas por terceiros sem emissão de notas fiscais idôneas.
O grupo criminoso agia por meio da "prestação de serviço ilegal" para regularizar estoques de outros contribuintes que tivessem adquirido mercadorias desacompanhadas de notas fiscais.
Ou os que tivessem simulado vendas de mercadorias que, na verdade, não adquiriram, com o intuito de justificar gastos não ocorreram.
Uma terceira ação criminosa era "fabricar" créditos tributários fictícios, visando a suprimir impostos.
A Operação
Fazem parte da Operação Cortina de Fumaça o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Pernambuco (CIRA/PE), formado pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE), a Secretaria de Defesa Social (SDS), a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e a Secretaria da Fazenda (Sefaz-PE).