"Me chamou de aleijado e me deu dois tapas": paratleta denuncia ter sido agredido por motorista de ônibus no Recife
Caso aconteceu na tarde deste domingo (26), em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. O paratleta Nivalmir Cardoso de Farias Junior, de 25 anos, conversou com o Diario de Pernambuco e relatou ter sido agredido verbal e fisicamente por um motorista de ônibus
Publicado: 27/04/2026 às 15:03
Caso aconteceu neste domingo (26) (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
Um paratleta denuncia ter sido vítima de agressões por parte de um motorista de ônibus, na tarde deste domingo (26) em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Nivalmir Cardoso de Farias Júnior, de 25 anos, é cadeirante e contou ao Diario que foi agredido verbal e fisicamente após pedir parada enquanto tentava voltar para casa.
Ele diz que estava em uma parada de ônibus na Avenida Barão de Souza Leão, quando pediu parada para um ônibus da linha TI Joana Bezerra/Boa Viagem que costuma pegar, para ir para o Coque, na área central do Recife, onde mora.
“O ônibus vinha no meio da pista, aí eu dei a mão, ele veio pro lado da parada. Ele desceu e começou a falar: ‘Cadeirante sai dia de domingo no meio da rua?’, a dizer que não é pago para fazer essa função, que é muito trabalho pra uma pessoa só. Eu disse: ‘Se você não quer trabalhar dê a vaga pra outra pessoa’. E ele começou a me xingar, me chamou de aleijado, folgado, de preto safado”, relembra.
Segundo Nivalmir, ele retrucou as ofensas. Foi nesse momento em que um colega que estava com ele começou a gravar o que estava acontecendo – as imagens estão circulando nas redes sociais.
“Eu errei por ter xingado, nada justifica o meu xingamento e também não justifica a agressão que eu sofri. Ele se exaltou e veio pra cima de mim. Desceu o elevador bem rápido, como mostra no vídeo, antes de descer, ele ameaça a tomar o celular e nós falamos ‘venha tomar’. Ele jogou o controle do elevador, desceu correndo e deu dois tapas no meu peito. O menino parou de gravar porque pensou que iria pra cima dele, mas não, veio na minha direção”, acrescenta.
O paratleta voltava de uma competição de tiro com arco, modalidade que pratica, quando tudo aconteceu. Após as agressões, o motorista continou com os xingamentos e seguiu com o ônibus.
“Minha cadeira só não virou para trás porque o meu corpo fica inclinado pra frente. Se eu tivesse o corpo reto tinha caído, não sei o que eu teria sofrido. Ele xingou mais um pouco, foi andando para o ônibus e seguiu viagem. E nós ficamos lá. Fiquei chorando, muito triste, porque eu só queria voltar para casa depois de um dia de campeonato. Eu ganhei o campeonato, estava muito feliz. Não tenho condições de pagar Uber”, comenta.
Da alegria de conseguir a vitória na competição às agressões, ele conta que o sentimento é de “revolta”.
“Revolta e impotência, porque eu sou uma pessoa indefesa, não tenho como me defender. Fiquei muito triste, abatido. Não consegui fazer minhas postagens de ontem, não tive motivação para expor minha felicidade, por vencer o campeonato. Porque a partir daquele momento, o dia para mim ali foi por água abaixo”, adiciona.
Nivalmir relata, ainda, que pega a mesma linha quatro vezes por semana, para ir realizar os treinos, mas foi a primeira vez que encontrou um motorista “despreparado”, nas palavras dele.
“Pego o ônibus sempre na mesma parada. Tem vários motoristas que se tornaram meu amigos. Dessa vez eu peguei esse motorista muito despreparado e me atacou”.
O que diz a Polícia Civil
Em nota, a Polícia Civil de Pernambuco informou que está investigando o caso como uma ocorrência de vias de fato, dano/depredação e injúria.
De acordo com a corporação, o motorista, um homem de 62 anos que não teve identidade revelada, prestou esclarecimentos.
“A autoridade policial instaurou um inquérito por portaria e as investigações seguem em andamento”, destacou.
O que diz o Sindicato
O Diario de Pernambuco procurou o Sindicato dos Rodoviários de Pernambuco e até o momento, não obteve retorno.