Pernambuco tem 235 mil pessoas em áreas de alto e muito alto risco em 925 localidades
Os dados do Serviço Geológico do Brasil foram apresentados na manhã desta quarta-feira (15), pela Defesa Civil estadual, durante a Reunião de Integração Institucional para a Operação Inverno 2026
Publicado: 15/04/2026 às 14:15
Coronel Ramalho detalhou as ações da Defesa Civil para 2026 (KAROL RODRIGUES/DP)
Pernambuco tem atualmente cerca de 235 mil pessoas vivendo em áreas classificadas como de alto e muito alto risco (R3 e R4), distribuídas em 925 pontos já mapeados em todo o Estado.
Os dados, do Serviço Geológico do Brasil, foram apresentados na manhã desta quarta-feira (15), pela Defesa Civil estadual durante a Reunião de Integração Institucional para a Operação Inverno 2026.
Conforme o órgão, os números evidenciam o nível de vulnerabilidade diante da quadra chuvosa, especialmente na Região Metropolitana do Recife, onde se concentram encostas ocupadas e áreas próximas a rios.
Novidade
Diante desse cenário, o Estado aposta em três frentes principais para reduzir os impactos das chuvas em 2026: o envio de alertas antecipados à população, a execução de obras estruturantes e o reforço das forças de resposta.
Uma das principais novidades é o uso do sistema Defesa Civil Alerta, que permite o envio de mensagens emergenciais diretamente para celulares em áreas de risco, sem necessidade de cadastro prévio, nos casos mais graves.
A ferramenta é operada pelo Governo de Pernambuco, em parceria com o Governo Federal, e utiliza dados do monitoramento meteorológico e hidrológico para antecipar situações de perigo.
Segundo o secretário executivo de Proteção e Defesa Civil do Estado, coronel Clóvis Ramalho, o objetivo é garantir que a população tenha tempo para agir.
“Com base nesse acompanhamento, a gente pode emitir alertas antecipados para que as pessoas busquem medidas de autoproteção em locais seguros”, afirmou.
Além do sistema automático, continuam sendo enviados alertas por SMS e WhatsApp para moradores cadastrados, que podem se inscrever enviando o CEP para o número 40199.
A expectativa é que municípios como Recife, Jaboatão dos Guararapes e Ipojuca passem a operar a ferramenta diretamente, ampliando a rapidez da comunicação.
O mapeamento das áreas de risco, ampliado desde 2023 em mais de 30 municípios, também é apontado como um avanço.
As informações são utilizadas para orientar planos de contingência, controle urbano e a execução de intervenções em áreas vulneráveis.
Entre as principais ações estruturantes citadas estão obras de contenção de encostas em municípios como Jaboatão dos Guararapes, Paulista, Igarassu e Paudalho, além da limpeza e desassoreamento de rios, como no bairro de Peixinhos, em Olinda.
Na Mata Sul, o sistema de barragens segue em expansão, com a barragem de Panelas já concluída e outras, como a de Gatos, em construção.
Mesmo com os investimentos, o cenário segue exigindo atenção. Segundo o coronel Ramalho, as duas mortes recentes, no bairro de Águas Compridas, em Olinda, podem estar associadas aos efeitos do clima.
Em 2025, o Estado contabilizou mais de 18 óbitos por eventos climáticos.
Reforço
O Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBMPE) também prometeu reforçar a estrutura para a Operação Inverno 2026.
Ao todo, 88 militares integram forças-tarefas especializadas, distribuídas em quatro regiões do Estado, com atuação voltada para situações como deslizamentos, desabamentos e inundações.
De acordo com o subcomandante-geral, coronel Valfrido Curvelo, os profissionais passam por treinamento contínuo ao longo do ano.
“A cada ano a gente se prepara mais, tanto com equipamentos quanto com capacitação, para atuar com mais segurança”, afirmou.
Outra medida adotada foi a implantação de uma sala de gerenciamento estratégico, com monitoramento em tempo real, uso de drones e painéis digitais, que auxiliam na tomada de decisões durante as ocorrências.
O acionamento das equipes segue um sistema escalonado, de acordo com a gravidade.
Municípios
Nos municípios, conforme informações repassadas na reunião desta quarta-feira, as ações também estão sendo voltadas para a prevenção.
Em Chã Grande, na Zona da Mata Sul, equipes da Defesa Civil realizam monitoramento das áreas de risco, com colocação de lonas em encostas e atuação integrada com outras secretarias.
Em Bezerros, no Agreste, o foco está na conscientização da população sobre o descarte correto de lixo, considerado um dos principais fatores que agravam os alagamentos.
Áreas como o entorno do canal do Salgado e as margens do rio Ipojuca estão entre as mais críticas.
Já em Olinda, onde há 243 áreas classificadas como de risco muito alto e cerca de 220 áreas de alagamento, a prefeitura estaria com plantão de 24 horas e atualizado o plano de redução de riscos.
De acordo com Carlos D'Albuquerque, secretário executivo de Defesa Civil de Olinda, no último fim de semana, foram registrados dez deslizamentos e quedas de árvores, sem vítimas, mas com imóveis interditados, alguns com necessidade de demolição.
Quadra chuvosa
A previsão para a quadra chuvosa é entre abril e julho, e indica chuvas dentro ou abaixo da média, segundo a Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC).
Ainda assim, há possibilidade de eventos intensos concentrados em poucos dias.
“Podemos ter chuvas fortes em um ou dois dias que acumulam o volume esperado para o mês inteiro”, explicou a diretora presidente da APAC, Suzana Montenegro.
Segundo ela, a previsão é atualizada duas vezes por dia, com maior precisão no curto prazo.
O encontro reuniu representantes das esferas federal, estadual e municipal e marcou a etapa final de preparação para a quadra chuvosa.
Segundo a Defesa Civil, a integração entre os órgãos é essencial para garantir uma resposta mais rápida e eficiente em situações de emergência.
Orientação
De acordo com o coronel Ramalho, a Defesa Civil do estado orienta a população evitar áreas de risco e ficar atenta a sinais de deslizamento, como rachaduras em paredes, inclinação de árvores e portas travando.
Em caso de alagamentos, a recomendação é não atravessar áreas inundadas, devido ao risco de choques elétricos e obstáculos submersos.
Em situações de emergência, os contatos são:
193, do Corpo de Bombeiros e
199, da Defesa Civil.