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JUSTIÇA

Justiça manda prender médico investigado por morte após procedimento estético no Recife

Profissional está foragido. Audiência do caso está marcada para setembro e decisão sobre júri popular será tomada após essa etapa

Adelmo Lucena

Publicado: 08/04/2026 às 18:19

Marcelo Alves Vasconcelos é investigado pela morte de paciente/Foto: Reprodução/Redes Sociais

Marcelo Alves Vasconcelos é investigado pela morte de paciente (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

A Justiça de Pernambuco determinou a prisão preventiva do médico Marcelo Alves Vasconcelos, investigado pela morte da comerciante Adriana Barros Lima Laurentino, de 46 anos, após um procedimento estético realizado no Recife. O mandado foi expedido no último dia 27 de março, e o profissional é considerado foragido.

A decisão foi assinada pela juíza Danielle Christine Melo, da 3ª Vara do Tribunal do Júri da Capital. Na determinação, a magistrada destacou a necessidade da medida para preservar a ordem e a saúde públicas, apontando que o médico teria continuado a realizar procedimentos mesmo após as denúncias.

A audiência de instrução e julgamento foi marcada para o dia 22 de setembro, quando devem ser ouvidas testemunhas de acusação e defesa. Caso haja tempo, o réu também poderá ser interrogado. Somente após essa fase a Justiça decidirá se o médico será submetido a júri popular.

O profissional foi denunciado pelo Ministério Público de Pernambuco por homicídio qualificado. Ele também responde por exercício ilegal da Medicina, já que, na época dos fatos, não possuía registro profissional válido em Pernambuco, regularizado apenas após a morte da paciente.

A Polícia Civil informou que "realiza buscas com base em levantamentos e cruzamento de informações e diligências com o objetivo de localizar e prender pessoas com mandados em aberto", Além disso, a PCPE faz o monitoramento contínuo do Banco Nacional de Mandados de Prisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ferramenta que reúne, em âmbito nacional, informações atualizadas sobre ordens judiciais de prisão expedidas pelo Poder Judiciário.

Relembre o caso

Segundo as investigações da Polícia Civil de Pernambuco, Adriana morreu um dia após se submeter a um procedimento conhecido como bioplastia de glúteos, realizado em janeiro de 2025, em uma clínica particular da capital. Ela foi encontrada sem vida no banheiro de casa, com sinais de complicações, como sangramentos e alterações na coloração da pele.

De acordo com o laudo, a causa da morte foi choque séptico, uma infecção generalizada, associada a infecção urinária.

A apuração indica que o médico utilizou o polimetilmetacrilato (PMMA), substância cujo uso para fins estéticos não é recomendado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sendo autorizado apenas em situações específicas de caráter reparador. No procedimento, teriam sido aplicados cerca de 360 ml do produto.

Ainda conforme a investigação, não houve solicitação de exames prévios nem avaliação detalhada do estado de saúde da paciente antes da intervenção. Adriana teria conhecido o serviço por meio das redes sociais, onde o médico mantinha um perfil com grande número de seguidores. Pelo procedimento, ela pagou cerca de R$ 21 mil.

Na época, a Polícia Civil disse que o médico "tinha pleno conhecimento dos riscos associados ao uso de PMMA, mas mesmo assim realizou o procedimento, assumindo o risco do resultado fatal."

Defesa da família

Em nota enviada ao Diario de Pernambuco, o advogado Felipe Alef, que representa a família de Adriana, afirmou que a prisão preventiva é uma medida necessária diante da gravidade do caso. Para ele, a decisão representa uma ação cautelar para evitar novos riscos à população e garantir o andamento adequado do processo.

“Os elementos já conhecidos indicam um cenário extremamente preocupante, que envolve, inclusive, o exercício irregular da medicina, no momento do fato, circunstância que agrava de forma significativa a responsabilidade pelos fatos apurados”, destaca o advogado.

“A resposta do sistema de justiça deve ser exemplar, tanto no sentido de responsabilização quanto de prevenção”, destaca Felipe Alef. Ele destacou que seguirá acompanhando o caso e destacou a solidariedade à família da vítima.

O Diario de Pernambuco não localizou a defesa de Marcelo Alves Vasconcelos.

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