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Arcebispo aproveita Sexta Santa e pede paz: "No Brasil, mesmo sem guerra oficial, há tantas guerras"

Celebração presidida pelo arcebispo de Olinda e Recife, dom Paulo Jackson, aconteceu na tarde desta Sexta-Feira Santa (4), na Catedral da Sé, em Olinda, no Grande Recife

Nicolle Gomes

Publicado: 03/04/2026 às 18:22

Procissão foi realizada em Olinda /Sandy James/DP

Procissão foi realizada em Olinda (Sandy James/DP)

As ruas do Sítio Histórico de Olinda, no Grande Recife, receberam a tradicional procissão do Senhor Morto, que saiu da Catedral da Sé na tarde desta Sexta-Feira Santa (3), um dia de silêncio, jejum e contemplação da morte de Cristo para os católicos.

Os devotos Histórico de Olinda até a Igreja de São Francisco. No caminho, canções e rezas foram entoadas pela multidão.

A celebração da Paixão do Senhor é realizada em lembrança do momento em que foi retirado da Cristo cruz e levado à sepultura, numa procissão reflexiva.

Andores de Maria, Madalena e do apóstolo João, figuras que na tradição católica, eram amadas por Jesus, também foram parte da cerimônia.

A condução foi feita pelo Arcebispo de Recife e Olinda, Dom Paulo Jackson. Durante a cerimônia, ele ressaltou a celebração.

“Para nós, celebrar a Paixão do Senhor significa, antes de tudo a morte de um Mártir. Mas Jesus não é somente um mártir. Ele morre em lugar de outros, tomou sobre si as dores da humanidade. Jesus carrega sobre os ombros, nossas enfermidades e pecados. A morte de Jesus é capaz de apagar pecados,
de purificar e perdoar a humanidade. É por isso que nós estamos aqui nessa tarde: ele morre para nos dar vida, para nos justificar, nos fazer criaturas novas, refeitas e lavados pelo sangue do Senhor”, comentou.

Dom Paulo também pede paz

“Na morte e a vitória do Cristo Jesus, nós somos convidados também a refletir sobre nos últimos dramas da humanidade. O Papa Leão XIV nos pediu especialmente que rezássemos em favor da paz especialmente no Oriente Médio, mas não somente. A paz da própria Terra Santa, em guerra contra o Irã, enfim, todo o Oriente Médio envolvendo aqueles vários grupos. Mas aqui no Brasil, mesmo que sem uma guerra institucionalizada ou oficial, há tantas guerras. Enquanto o coração da humanidade não repousa em Deus, permanece em estado de guerra. E no nosso país, quantas guerras, quantas violências, situações tão dolorosas não existem?”, indagou.

Uma das fieis presentes na celebração foi Clélia Brito, de 76 anos, moradora de Olinda.

“Eu sempre venho. É muito bonito, não perco não, venho celebrar a Páscoa enquanto eu tiver saúde. Não existe outro meio [de celebrar] sem ser aqui”, afirmou.

A também Olindense Célia Silva, de 77 anos, celebrou pela primeira vez a procissão que sai da Catedral da Sé.

“Eu amei. É um dia de muita importância, muita reflexão. Temos que pedir muita paz pelo mundo inteiro que está precisando. Paz para acabar
com essas mortes, esses feminicídios, e celebrar que Jesus morreu, mas ele vive”, disse.

Sexta-Feira Santa

A Procissão do Senhor Morto é apenas uma das cerimônias da Igreja Católica na Sexta-Feira Santa. Antes, às 15h, aconteceu o rito de Adoração à Cruz, no qual os fiéis beijam e adoram o Cristo Crucificado.

O momento, bastante solene, não é chamado de missa porque não há consagração do pão e do vinho – portanto, não se celebra a Eucaristia. Mas o povo comunga as hóstias que foram consagradas no dia anterior.

Programação de Páscoa

A programação da Semana Santa segue no Grande Recife. Confira os eventos realizados pela Arquidiocese de Recife e Olinda:

No Sábado (4), acontecerá a Vigília Pascal. A celebração acontecerá às 18h, na Matriz do Sagrado Coração Eucarístico de Jesus, no Espinheiro, Zona Norte do Recife.

No Domingo de Páscoa (5), uma Santa Missa de Celebração de Vida Nova, acontecerá às 9h, na Catedral da Sé de Olinda, na Região metropolitana da capital.

 

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