Defesa de mulher que acusou padre Airton de estupro diz que vai recorrer de absolvição
A personal stylist Sílvia Tavares concedeu entrevista, nesta terça (31), e disse que "vai continuar lutando". Decisão da absolvição do padre saiu na segunda (30)
Publicado: 31/03/2026 às 11:51
Nunes e Sílvia falaram durante coletiva, nesta terça (31), no Recife (Nicoolle Gomes/DP)
Um dia depois do anúncio sobre a decisão da Justiça de Pernambuco que absolveu o padre Airton Freire de estupro, a defesa da mulher que fez a denúncia informou que vai recorrer.
Em coletiva realizada nesta terça-feira (31), no Recife, a personal stylist Sílvia Tavares afirmou que “ficou revoltada”, com a absolvição.
“Eu tinha ele como um amigo. Estou me sentindo muito injustiçada, mas não vou desistir. Enquanto vida eu tiver, eu vou lutar, não só eu como o doutor Rafael Nunes. Não só por mim, como também por todas as vítimas”, declarou.
A coletiva foi realizada no escritório do advogado Rafael Nunes, que defende Sílvia.
“Recebemos com muito pesar e tristeza. Surpreendeu muito, estávamos muito confiantes, certos da condenação, porque a produção de provas, o que foi produzido nas audiências, não deixou qualquer tipo de dúvida. O que tem no processo é suficiente para condenar”, detalhou o advogado.
Sílvia acusou o padre de praticar os crimes sexuais nas dependências da Fundação Terra, em Arcoverde, em 2023.
Na época, o padre comandava a entidade. Ele ficou em prisão domiciliar desde 2024.
Padre Airton
Na segunda (30), após o anúncio da absolvição, a defesa de padre Airton afirmou, por nota, que a prisão preventiva do padre também foi revogada pela decisão.
“Em que pese os dados da sentença serem sigilosos, podemos dizer que ficou claro, por um fato objetivo trazido aos autos pela perícia técnica, que as versões de Silvia, dada nos autos e entrevistas públicas, nunca corresponderam à realidade”, diz a advogada Mariana Carvalho, que comandou a defesa num trabalho conjunto realizado pelos escritórios dos criminalistas Eduardo Trindade e Marcelo Leal.
O caso foi considerado difícil, tecnicamente, por conta da quantidade de depoimentos e em decorrência de o padre ser uma liderança religiosa reconhecida em Pernambuco. E pelo fato de os depoimentos das vítimas de violência terem forte valoração probatória, conforme a jurisprudência recente.
“O juiz foi equilibrado, isento e fez uma análise minuciosa de todas as informações em um caso complexo até concluir que os fatos não autorizam um juízo condenatório”, explica Eduardo Trindade.
O Diario procurou a assessoria de comunicação de padre Airton para falar sobre a promessa de entrada com recurso por parte da defesa de Sílvia e aguarda reposta.