Bichos de pelúcia ajudam na recuperação de filhotes acolhidos pelo Cetras; veja como doar
Objetos são usados no acolhimento de animais que perderam as mães, ajudando a reduzir estresse e auxiliar no desenvolvimento inicial
Publicado: 30/03/2026 às 16:01
Tamanduá filhote se agarra a bicho de pelúcia após separação da mãe (Foto: Crysli Viana/DP Foto)
Filhotes de animais silvestres atendidos pelo Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras), no Recife, estão recebendo apoio por meio de doações de bichos de pelúcia, utilizados no processo de reabilitação após a perda das mães. A unidade, vinculada à Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), arrecada os objetos para suprir uma demanda recorrente no acolhimento desses animais.
Os filhotes chegam ao centro, em grande parte, após situações de tráfico, caça ou acidentes. Nesses casos, a ausência da mãe interfere diretamente no desenvolvimento inicial, especialmente nas primeiras fases de vida, quando há dependência de contato físico e estímulos comportamentais.
O uso de pelúcias tem sido adotado como estratégia de manejo. Os objetos funcionam como substitutos parciais do contato materno, oferecendo suporte térmico e estímulos táteis, além de contribuírem para a redução do estresse durante o período de adaptação.
Em centros de reabilitação, a prática é associada à necessidade de fornecer conforto térmico e emocional a filhotes órfãos, que utilizam esses objetos para se apoiar e se desenvolver durante o tratamento.
Além do aspecto físico, a medida também dialoga com o comportamento animal. A separação precoce pode comprometer processos como o imprinting, fase em que o filhote estabelece referências sociais e ambientais, o que pode afetar sua capacidade de adaptação futura. Por isso, o manejo busca oferecer estímulos controlados que reduzam impactos imediatos da ausência materna.
De acordo com o gerente da unidade, Iran Vasconcelos, o trabalho do Cetras envolve diferentes etapas até a reintegração dos animais ao ambiente natural
“Esse equipamento de fauna serve para fazer o seguinte: ele faz a triagem, o recebimento e a triagem dos animais, a reabilitação, a soltura e o monitoramento dos animais silvestres. A gente sabe que as ações humanas afligem os biomas nacionais e, por perda de habitat ou por muitas outras ações antrópicas, alguns animais perdem o seu rumo.”
Ele destaca que o tráfico de fauna é o principal fator de entrada de animais na unidade e compromete o equilíbrio ecológico ao retirar indivíduos do ambiente natural. Neste ano, chegaram ao local 1.938 animais e, segundo Iran, pelo menos 90% são vítimas de tráfico.
“A maior atividade que hoje afeta a biodiversidade faunística do nosso país e do mundo inteiro é o próprio tráfico de fauna silvestre. É o terceiro maior tráfico do mundo. Só perde para armas e drogas”, destaca o gerente do centro.
Durante a reabilitação, os animais passam por avaliação clínica e recuperação física antes do trabalho comportamental, considerado uma das etapas mais complexas do processo.
Os filhotes que hoje vivem no Cetras, entre eles tatus, tamanduás, aves e marsupiais, são mantidos em estruturas de aquecimento controlado, conhecidas como incubadoras. Nesses espaços, os animais permanecem sob monitoramento de biólogos e médicos-veterinários, que acompanham parâmetros como alimentação, hidratação e comportamento.
“Quando o animal vai para o cativeiro, ele perde diversas coisas. Uma delas é a capacidade muscular. Outra perda, que é uma das mais difíceis de reverter, é a cognitiva. Então, quando ele chega aqui, a gente primeiro trabalha a parte de medicina veterinária. Se ele estiver bem fisicamente, os biólogos vão entrar na parte cognitiva e muscular para recuperar”, explica Iran.
As doações de pelúcias podem ser feitas na Gerência de Gestão de Fauna Silvestre, na Rua Professor Edgar Altino, nº 145, no bairro do Poço da Panela, no Recife. Segundo o Cetras, os materiais são utilizados de forma contínua no atendimento a filhotes.