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Uma casa que distribui a esperança

A Casa da Esperança, situada em Candeias, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, atua há 27 anos promovendo acolhimento e auxílio de crianças

Nicolle Gomes

Publicado: 25/03/2026 às 07:00

A Casa Esperança atende crianças a partir de um ano/Divulgação

A Casa Esperança atende crianças a partir de um ano (Divulgação)

A Casa da Esperança, em Jaboatão dos Guararapes, é uma instituição que carrega, no próprio nome, o propósito de sua existência: oferecer um espaço seguro para crianças.

Ela surgiu em 1998, a partir de uma iniciativa da Igreja Anglicana Espírito Santo, em Piedade, com o objetivo de instituir uma creche para 15 crianças.

Hoje, 27 anos depois, a Casa da Esperança atende cerca de 190 crianças de sete comunidades próximas ao bairro de Candeias, também em Jaboatão dos Guararapes: Carolinas, Espinhaço da Gata, Loreto, Dom Helder, Briga do Galo, Sovaco da Cobra e Catamarã. São 30 crianças de 1 a 3 anos atendidas na creche e 120 no contraturno escolar.

No local, também são disponibilizados atendimento com psicólogos, nutricionistas e assistentes sociais para as crianças e suas famílias.

“A criança sai da nossa creche, com três nos tem que ir para a escola e depois fica no contraturno. A gente tem aula de informática, psicomotricidade e artes. Trabalhamos desde a primeira infância até a pré-adolescência”, diz Andrezza Limeira, presidente da Casa.

O trabalho da Casa da Esperança é tão presente na região que se tornou também um fortalecer de vínculos comunitários, segundo Andrezza. A longevidade e integração permitem, hoje, que filhos de pessoas que foram auxiliadas na ONG também recebam o apoio.

“Somos vistos como uma instituição que realmente é um apoio, um braço da comunidade. Além de trabalhar com os alunos, somos também um farol. Lá, eles podem buscar qualquer tipo de ajuda. Se não for da nossa demanda, fazemos o encaminhamento. Hoje eu tenho funcionárias que estudaram lá. Pais que estudaram lá e seus filhos estão estudando”, relata.

Segundo a presidente da ONG, o trabalho promovido na localidade transforma vidas. “É muito desafiador, mas muito compensador quando vemos a transformação da criança que chegou lá com um ano e entrou na faculdade. É um divisor de águas. É uma quebra de ciclos, vemos muitas vidas transformadas no sentido de mudar padrão de uma comunidade. Logicamente não são todos que conseguem furar essa bolha, mas os que conseguem fazem tudo vale a pena. Queremos promover essa mudança, transformar as vidas dessas crianças, e fazê-los verem que são capazes, que existe um futuro melhor”, explica.

TRAJETÓRIAS

Apesar dos desafios, a motivação é seguir promovendo essas mudanças para o bem: “A gente perde muita criança para o para as drogas. A gente tá ali, retendo aquelas crianças, dando amor, educação, mostrando para elas um uma visão de futuro melhor. Isso é recompensador, é o que faz tudo valer a pena, a gente vê aqueles pequenos depois virando um adulto”, adiciona.

Em quase três décadas, Andrezza avalia como a instituição cresceu e conseguiu alcançar mais pessoas, e aprimorar o auxílio. Segundo ela, mesmo em meio aos desafios financeiros, o trabalho resiste. Atualmente 30 funcionários voluntários colaboram com o trabalho da Casa da Esperança.

“A gente começou com uma casa de 200 metros quadrados, hoje temos um prédio de 1.100 [metros quadrados]. Esse crescimento nos permitiu aprimorar nossa estrutura e a equipe. A equipe pedagógica sempre tem treinamento. Não tínhamos equipe técnica e hoje temos. A equipe social faz muita diferença porque além do cuidado que a gente dá às crianças, muitas vezes a família também precisa para ter mais estrutura”, afirma Andrezza.

E a Casa da Esperança não mudou apenas a vida de quem foi atendido. A atual presidente chegou como voluntária, e conta como o trabalho foi importante para ela.

“Me transformou demais, em tudo. Me ensinou a ter resiliência, paciência, a entender o outro, ter empatia. O trabalho da Casa de Esperança para mim é uma visão de um futuro melhor. Eu tenho muito orgulho de fazer parte de uma equipe muito dedicada, eles amam o que fazem. Eu não nada faço sozinha”, revela.

Para o futuro, as expectativas são boas. Andrezza destaca o objetivo de seguir crescendo e ajudando as pessoas.

“Na instituição sonhamos em fazer o último andar, onde pretendemos colocar aula de inglês, balé, consultórios médicos. Temos um projeto parado por falta de recursos, mas queremos, no futuro, profissionalizar esses adolescentes para o mercado de trabalho. O meu sonho é que não precisasse mais da casa, que todas as crianças pudessem ter apoio de políticas públicas, mas para Casa da Esperança a gente tem muita coisa que a gente ainda sonha”, diz.

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