Passageiros do Agreste relatam atrasos e superlotação em vans após mudanças de empresas de ônibus
A situação ocorre após Progresso assumir quatro linhas que, anteriormente, eram operadas pela Logo Caruaruense. Essa última encerrou suas atividades em janeiro
Publicado: 06/03/2026 às 06:00
Progresso assumiu quatro linhas deixadas pela Logo Caruaruense (Marina Torres/DP Foto)
Usuários do sistema intermunicipal de transporte do Agreste de Pernambuco relatam uma série de dificuldades após a transferência da operação de quatro linhas da Logo Caruaruense para a Viação Progresso em janeiro. Entre as queixas, está a superlotação de vans, responsáveis pelo transporte alternativo, que ficaram sobrecarregadas por conta de atrasos constantes dos ônibus.
As vans intermunicipais são uma opção de transporte regulamentado para quem precisa realizar as rotas Recife/Caruaru, Caruaru/Santa Cruz do Capibaribe, Caruaru/Bezerros e Caruaru/São Caetano. Os passageiros, contudo, dizem que a falta de pontualidade dos ônibus, que agora são oferecidos pela Progresso, têm impactado o serviço alternativo.
“Para mim, o principal problema é a falta de certeza sobre os horários dos ônibus. Acaba que muita gente está pegando lotação para evitar perder compromissos”, diz a professora Morganna Bernardo, que mora em Bezerros e precisa se deslocar constantemente para Caruaru.
De acordo com Morganna, outro problema seria a falta de adesão aos cartões com bilhetes eletrônicos. “Como o ônibus faz muitas paradas e o motorista precisa ficar recebendo os bilhetes, isso acaba atrasando as viagens”, afirma.
Segundo os passageiros, os valores de créditos presentes nos cartões da Logo Caruaruense, que deixou de operar, não foram transferidos para a Progresso até o momento. “Eu tenho mais de R$ 100 em passagens que não sei se perdi, porque até agora não recebi nenhuma orientação sobre transferência. A gente fica no prejuízo”, lamenta.
Vans
A auxiliar administrativa Jaqueline Santos também tem se desdobrado para cumprir os horários de trabalho. Ela mora em Bezerros e se desloca diariamente para Caruaru.
“A gente nunca sabe de que horas os ônibus vão sair. Estou me virando com as vans, que estão superlotadas desde o fechamento da Caruaruense. A gente fica com medo, porque tem muita gente circulando em pé”, conta.
Ela também relata que os veículos disponibilizados costumam estar em más condições. “Os ônibus são muito sujos, o que deixa a gente desconfortável. Como as vans passam mais rápido, eu acabo quase sempre optando por elas”, acrescenta.
ESPERA
Em tratamento médico em Caruaru, a artista plástica Thera Almeida, que mora em Bezerros, praticamente deixou de viajar de ônibus após o encerramento das atividades da Logo Caruaruense. “Já cheguei a esperar mais de uma hora. A alternativa são as vans, só que não tem fiscalização, controle. Elas circulam com a quantidade de pessoas que o motorista quiser”, coloca.
Em entrevista ao Diario de Pernambuco, Hendrickson Lima, presidente da Cooperativa do Transporte Alternativo do Terminal Leste (Coopeleste), negou que exista superlotação nas vans após o fechamento da Logo Caruaruense. De acordo com ele, as vans circulam de maneira regular e obedecem a legislação vigente.
“Tem rotas de menos de 35 quilômetros que são consideradas, junto ao estado, como rotas municipais. Nestes casos, estamos autorizados a circular com até 20% da capacidade do veículo em pé. As vans costumam ter entre 15 e 20 lugares”, diz.
De acordo com a Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI), ontem, a Progresso passou a autorizar o uso do cartão com os créditos da Logo Caruaruense em suas catracas. Por meio de nota, a instituição confirmou que sua ouvidoria recebeu 77 manifestações de usuários das linhas transferidas à Progresso desde o início da nova operação, em 24 de janeiro.
“Muitos casos já foram concluídos com resolução das queixas e outros estão em apuração para que, constatados os problemas, todas as providências sejam tomadas para segurança e conforto dos passageiros”, disse a EPTI, por meio de nota. O Diario também procurou a Progresso, que não se posicionou até o fechamento desta matéria.