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Carnaval 2026: Afoxés realizam 7ª edição do Ubuntu no Bairro do Recife

Evento enalteceu as tradições afro-brasileiras. Grupos realizaram a lavagem da Avenida Rio Branco, trazendo boas energias para a folia

Adelmo Lucena

Publicado: 11/02/2026 às 18:10

Ubuntu realiza lavagem no Bairro do Recife/Crysli Viana

Ubuntu realiza lavagem no Bairro do Recife (Crysli Viana)

Os afoxés ocuparam as ruas do Bairro do Recife nesta quarta-feira (11) durante a 7ª edição do Ubuntu, encontro que reuniu 28 grupos e integrou a programação oficial do Carnaval do Recife. Com o tema “Deixando legado, pensando no futuro!”, o evento abordou a preservação das tradições afro-brasileiras e contou com participações de Zezé Motta e Altay Veloso.

A programação reverenciou lideranças e grupos ligados à preservação das tradições afro-brasileiras. Para Pai Everaldo Xangô, do Afoxé Ogbon Obá, o Ubuntu representa continuidade de uma tradição e o fortalecimento da resistência cultural.

“O Ubuntu é o encontro de todas as casas de candomblé, de todos os grupos de afoxé. É a abertura do carnaval da cidade do Recife. É uma tradição que não pode ser perdida, que precisa continuar com os mais jovens, porque os mais velhos passam, mas têm que deixar um legado. Quanto mais divulgação é melhor para ajudar a quebrar paradigmas, a combater a intolerância e a desconstruir a linguagem negativa que, por muitos anos, tentou demonizar a nossa fé”, afirmou.

Os grupos iniciaram a lavagem da Avenida Rio Branco e seguiram em cortejo até o Marco Zero, conduzindo o público em um ritual de purificação. Durante o percurso, ogãs de diferentes nações das religiões de matriz africana marcaram o ritmo da celebração, enquanto as crianças, conhecidas como erês, também participaram do cortejo. Os cânticos, no ritmo ijexá e em língua iorubá, exaltaram entidades como Iemanjá, Exu, Oxóssi, Xangô, Ogum, Nanã, Oxum e Iansã.

O projeto foi idealizado por Dona Carmem Virgínia, iabassê do Afoxé Ogbon Obá e proprietária do Altar Cozinha Ancestral, a partir da articulação com lideranças dos afoxés. A iniciativa conta com uma coordenação de uma comissão formada por integrantes do Comitê dos Afoxés do Recife e Região Metropolitana (COAFRE) e da União dos Afoxés de Pernambuco (UAPE), entre eles Marcos Silva, Jorge Féo, Dario Júnior, Vanessa Silva, Inaldo Costa, Lorival Santos e Mãe Fátima d’Oxum.

 

A cantora Gabi do Carmo, de 35 anos, se apresentou no evento pela primeira vez e destacou a importância do Ubuntu dentro da programação carnavalesca.

“A importância de a gente manter o afoxé e o maracatu, que são duas manifestações afropopulares, é porque a gente consegue consolidar quem faz cultura popular o ano inteiro, quem faz carnaval o ano inteiro. Para além disso, é a gente entender que existe uma cultura de economia criativa gigantesca ligada ao candomblé. O candomblé gera um movimento econômico importante, que precisa ser levado para a cultura popular, para que as pessoas entendam e desconstruam falas violentas criadas sobre as religiões de matriz africana”, pontuou.

Nesta edição, o evento também homenageou Mãe Beth de Oxum, Patrimônio Vivo de Pernambuco, o Afoxé Alafin Oyó, também reconhecido como Patrimônio Vivo do estado, e o Afoxé Ylê de Egbá, Patrimônio Vivo da Cidade do Recife, destacando trajetórias ligadas à preservação das tradições afro-brasileiras.

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