Servidores do Recife fazem protesto na frente da prefeitura
Ato acontece nesta quinta (5), na frente da prefeitura, no Cais do Apolo. Trânsito ficou fechado na área
Publicado: 05/02/2026 às 11:38
Professores levaram faixa para frente da prefeitura (Cadu Silva/DP)
Servidores municipais realizaram, nesta quinta-feira (5), um protesto em frente à Prefeitura do Recife para cobrar a abertura imediata da mesa geral de negociações com a gestão municipal.
O ato foi convocado pelo Fórum dos Servidores do Recife, com articulação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), diante da ausência de diálogo sobre reajuste salarial e pautas específicas das categorias.
Segundo Davi de Oliveira, represente do sindicado dos enfermeiros de Pernambuco (SEEPE), o prefeito prefeitura ainda não sinalizou quando pretende iniciar as negociações, que tradicionalmente ocorrem no mês de janeiro.
“A gente está numa época do ano em que a prefeitura já deveria ter aberto uma mesa geral de negociações com os servidores da Prefeitura para discutir o reajuste salarial e outras questões específicas de cada categoria. Mas, até o momento, não só não abriu como também não deram nenhuma previsão”, afirmou Davi de Oliveira.
De acordo com Edvaildo Ferreira, participaram do ato sindicatos que representam professores, enfermeiros, músicos, Guarda Municipal e trabalhadores da assistência social. A CUT, no entanto, destaca que a mobilização envolve todas as categorias do funcionalismo municipal.
Durante a manifestação, representantes dos sindicatos chegaram a subir até a sede da Prefeitura para tentar dialogar com integrantes da gestão. No entanto, até o fechamento do ato, não havia retorno oficial.
“A gente só conseguiu algum avanço depois de fechar a rua e intensificar a mobilização. Os representantes de cada categoria subiram, e agora estamos aguardando para saber se haverá algum retorno concreto”, explicou Edvaildo Ferreira.
Receio de adiamento das negociações
Os servidores demonstram preocupação de que a mesa de negociação não seja aberta ainda este ano, especialmente diante da possibilidade de o prefeito deixar o cargo para disputar o Governo de Pernambuco.
“A mesa de negociação sempre acontece até 31 de janeiro. Esse ano ainda não abriu. Nosso receio é que ela não seja aberta agora, e nem mesmo em 2026, caso o prefeito saia para disputar outro cargo”, disse Davi.
Segundo os sindicalistas, a justificativa recorrente da gestão municipal é a de dificuldades financeiras após o período carnavalesco, argumento que, segundo eles, não dialoga com a urgência das demandas dos trabalhadores.
“As contas da Prefeitura sempre dizem que estouram depois do carnaval, mas as nossas contas não esperam o carnaval para serem pagas”, completou Edvaildo Ferreira.
Reivindicações gerais e específicas
De acordo com a categoria, a pauta geral dos servidores municipais inclui reajuste de 17,5% no salário base, aumento do valor do auxílio-transporte para servidores de 40 horas e a criação de auxílio-alimentação para trabalhadores com jornada de 30 horas, que hoje representam mais de 50% do funcionalismo municipal.
Além da mesa geral, os sindicatos defendem a abertura de mesas setoriais, onde cada categoria possa negociar suas demandas específicas.
No caso dos enfermeiros, a principal reivindicação é o reajuste salarial de 25%, percentual que, segundo a categoria, já foi concedido a médicos e dentistas no ano passado.
“A nossa pauta principal é o reajuste de 25%. Esse percentual foi concedido a outras categorias da saúde, mas não contemplou os enfermeiros que servem à Prefeitura do Recife”, destacou Edvaildo Ferreira.
A categoria também reivindica aumento de 25% nas gratificações e a equiparação salarial entre profissionais que cumprem jornadas de 30 e 40 horas.
“Existe uma diferença de mais de dois mil reais entre o salário do enfermeiro de 30 e o de 40 horas, sendo que o profissional de 30 horas realiza exatamente as mesmas atividades. A gente pede que o valor da hora trabalhada seja o mesmo para todos”, concluiu Davi de Oliveira.