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Mulher baleada nas Graças diz que engenheiro ameaçou até a filha dela: "Fui para cima dele"

O caso aconteceu na noite do domingo (1º), no prédio Barão de Utinga, na Rua do Futuro, nas Graças, na Zona Norte do Recife. O engenheiro foi preso e encaminhado ao Cotel, após passar por audiência de custódia

Diario de Pernambuco

Publicado: 03/02/2026 às 08:36

prédio onde aconteceu crime fica nas Graças, na Zona Norte do Recife /Cadu Silva/DP

prédio onde aconteceu crime fica nas Graças, na Zona Norte do Recife (Cadu Silva/DP)

“Eu pedi ajuda. Porque se eu ficasse ali, ele terminaria de fazer o que queria”.

O depoimento é de Alana Carolaine Santana Casais, de 28 anos, que levou um tiro no rosto, disparado pelo companheiro, o engenheiro Carlos Dias, de 57 anos, no apartamento do casal, nas Graças, na Zona Norte do Recife, no domingo (1º). 

Nesta terça (3), em depoimento à TV Guararapes, ela contou como foi o crime registrado no Edifício Barão de Utinga, localizado na Rua do Futuro, e foi presenciado pela filha da vítima, de 11 anos.

Segundo a vítima, no dia do crime, ela havia acordado cedo para receber um corretor de imóveis, que havia marcado uma visita ao apartamento do casal. Pouco tempo depois, ela saiu com o companheiro para comprar comida.

Ainda de acordo com o depoimento, após buscar documentos na casa de uma parente do suspeito, o homem ficou na garagem mexendo no carro, enquanto ela subiu para cuidar da casa.

“Eu subi, acordei minha filha, dei almoço, limpei tudo e dei comida a todo mundo. O corretor chegou, fez o vídeo, e eu fiquei sentada do lado de fora. Eu tenho esse vídeo com horário”, afirmou.

Depois da visita, Alana disse que foi descansar a pedido do companheiro. Quando acordou, o comportamento dele havia mudado.

“Quando eu acordei, ele já estava no quarto falando um monte de coisa aleatória. Eu falei que a gente podia se separar por causa da bebida dele”, relatou.

Conforme Alana, temendo a reação, ela chamou a filha para ficar junto. “Eu chamei minha filha para ficar comigo. A gente ficou com a porta aberta, tudo ligado, cada uma de um lado, assistindo TikTok tranquilamente”, disse.

Ainda no relato, ela conta que, em determinado momento, o homem apareceu armado. “Ele veio do quarto com uma arma”, afirmou.

Mesmo assim, ela acreditou que a situação iria se acalmar e foi tomar banho. Foi então que as ameaças começaram.

“Ele falou: ‘Agora, a gente vai acabar com a nossa vida’. Eu achei que ele estivesse brincando. Ele disse que estava me vendo dormir, que eu estava cada dia mais bonita, que com 27 anos eu ia querer outra coisa”, contou.

Ainda conforme o relato, o tom mudou rapidamente. “Ele falou: ‘Eu vou acabar com a sua vida’. Eu achei que era brincadeira”, disse.

Logo depois, veio o primeiro disparo, que, segundo ela, falhou. “Ele atirou. A arma falhou, só estourou a pólvora. O vidro estilhaçou perto do meu rosto, na testa. Eu achei que já estava baleada”, relatou.

Em seguida, um segundo tiro foi efetuado e atingiu a parede do quarto. “Quando eu fui me trancar no banheiro, ele falou: ‘Eu vou atrás da sua filha agora’”, contou.

Ela relata que, nesse momento, correu para defender a filha e avançou para cima do suspeito armado. “Quando ele falou que ia atrás da minha filha, eu saí correndo para cima dele”, afirmou.

Mesmo ferida, ela entrou em luta corporal com o suspeito. “Eu tentei imobilizar ele, mesmo com a arma na mão. Minha filha ficou paralisada. Eu mandei ela sair do quarto e pedir ajuda”, disse.

Durante a briga, outros tiros foram efetuados. Conforme o relato, um dos disparos atingiu o rosto, enquanto o último acertou a perna. “Ele deu um tiro no meu rosto, a bala passou de raspão. Depois atirou de novo e também pegou na minha perna. Eu comecei a sangrar muito”, relatou.

Segundo Alana, após os disparos, o homem tentou combinar uma versão dos fatos. “Ele perguntou se tinha dado tudo certo e disse que a gente tinha que combinar uma história, que eu ia voltar com ele”, contou.

Com medo do que poderia acontecer, Alana fingiu concordar. “Eu falei: ‘Eu volto, só me ajude, por favor, senão eu vou morrer’. Ele disse que ia me ajudar para ver se eu estava morrendo mesmo”, relatou.

A vítima conseguiu pedir socorro ao perceber a presença de outras pessoas no prédio. “Quando eu vi o porteiro e um rapaz, eu pedi ajuda. Porque se eu ficasse ali, ele terminava de fazer o que queria”, afirmou.

Alana foi socorrida e levada ao Hospital da Restauração (HR). O estado de saúde não foi divulgado. A filha não ficou ferida.

O suspeito, Carlos Dias, teve a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva na manhã desta segunda-feira (2), após passar por audiência de custódia. Ele foi encaminhado ao Centro de Observação Criminológica e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel).

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