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Carnaval: a festa contraindicada para quem fez plástica recentemente

Quem aproveitou o início do verão e as férias para realizar algum procedimento estético precisa ter cuidado e deixar a orquestra passar

Diario de Pernambuco

Publicado: 30/01/2026 às 16:49

Decisão considerou que a plástica é complementar ao tratamento da obesidade, previne uma série de doenças e não se limita ao caráter estético/foto: rawpixel.com/U.S. Navy Medicine/Divulgação

Decisão considerou que a plástica é complementar ao tratamento da obesidade, previne uma série de doenças e não se limita ao caráter estético (foto: rawpixel.com/U.S. Navy Medicine/Divulgação)

Em um estado como Pernambuco, ficar olhando o carnaval apenas da janela nem sempre parece muito atrativo. Mas para pacientes que aproveitaram as férias para realizarem algum tipo de cirurgia plástica, é importante ficar atento para o processo de recuperação.

De acordo com o cirurgião plástico Guilherme Sedícias, o tempo de cicatrização varia conforme o procedimento, mas exige planejamento e cuidados específicos, especialmente em um período marcado por calor intenso, exposição ao sol, consumo de álcool e longas horas em pé. “De modo geral, o ideal é realizar a cirurgia dois a três meses antes do carnaval, para garantir uma recuperação adequada, sem dor, inchaço importante ou risco de comprometer o resultado estético”, orienta o especialista.

Procedimentos como lipoaspiração, abdominoplastia, mastopexia e colocação de prótese mamária exigem um intervalo maior antes da liberação total para atividades como dançar, pular ou viajar.

“Além da recuperação tecidual, fatores externos típicos da folia merecem atenção. A exposição ao sol pode provocar escurecimento das cicatrizes; o consumo de álcool e a desidratação tendem a agravar o inchaço; e fantasias apertadas reduzem a ventilação da pele, favorecendo irritações e inflamações”, explica o cirurgião.

VIAGEM

Mas para quem pretende fugir da tentação do frevo, viajar também requer precauções. “Viagens longas, principalmente após cirurgias corporais, também podem aumentar o risco de trombose venosa, o que exige avaliação individual”, alerta o médico.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o início do ano concentra um aumento significativo na procura esse tipo de procedimento no Brasil. O país ocupa a segunda posição no ranking mundial, com mais de 1,9 milhão de intervenções estéticas realizadas por ano.

Dados do Google Trends mostram crescimento nas buscas por termos como “lipoaspiração”, “prótese de silicone” e “abdominoplastia” entre dezembro e fevereiro. No mesmo período, a palavra “autoestima” registra aumento aproximado de 27%.

“O verão intensifica a percepção da própria imagem. A maior exposição corporal, somada às metas de recomeço e ao uso constante das redes sociais, leva muitas pessoas a considerarem procedimentos que desejavam há mais tempo”, explica Guilherme Sedícias.

Pesquisa do Instituto de Psiquiatria da USP aponta que 51% dos brasileiros afirmam que a aparência impacta diretamente a autoestima e 34% evitam ambientes de exposição corporal quando estão insatisfeitos com o próprio corpo.

Apesar da alta demanda, o especialista reforça a importância de decisões responsáveis. “A escolha pela cirurgia não deve ser guiada pela pressa ou pela comparação. Segurança, indicação correta e acompanhamento médico são fundamentais para um resultado saudável”, conclui.

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