Família de turista morto em Porto de Galinhas desmente dívida e rebate versão de suspeito: "estranheza"
Advogado da família de Rafael Ventura afirma que não há provas de dívida financeira; comerciante que confessou o crime alega legítima defesa durante cobrança.
Publicado: 19/01/2026 às 13:04
A vítima Rafael Ventura Martins, de 32 anos. (Foto: Reprodução/Redes sociais)
A defesa da família do turista paulista Rafael Ventura Martins, morto a tiros no início de janeiro em Porto de Galinhas, Ipojuca, no Grande Recife, contestou a versão do suspeito do crime, que se apresrentou à polícia e foi liberado, na semana passada.
Para o advogado Sérgio Gonçalves, as alegações do investigado "causam estranheza" e "carecem de provas".
Ao Diario de Pernambuco, Gonçalves destacou que, apesar de o suspeito alegar uma motivação financeira, ele não comprovou a existência de qualquer débito ou ameaça prévia por parte da vítima.
Em 4 de janeiro, Rafael Ventura Martins, de 32 anos, foi morto com dois tiros no restaurante Caldinho do Neném, na praia de Porto de Galinhas. Na quinta-feira (15), um comerciante, de 21 anos, se apresentou à Polícia Civil de Pernambuco e afirmou ter matado o turista.
Segundo o advogado, a família de Rafael está amedrontada. “A mãe dele está dilacerada lá em São Paulo, a esposa dele está em estado de choque e nós estamos aqui para cobrar a justiça, para mostrar que Pernambuco não é terra sem lei”, afirma Sérgio Gonçalves.
Para Gonçalves, o suspeito foi vago ao ser questionado sobre os detalhes que teriam motivado o crime. Em entrevista a emissoras, o suspeito, de 21 anos, que não teve o nome divulgado, alegou que agiu em legítima defesa.
O homem relatou que chegou ao local acompanhado de amigos e que permaneceu aguardando uma oportunidade para fazer a cobrança fora do estabelecimento. De acordo com o depoimento, após uma discussão envolvendo a vítima, ele decidiu se aproximar da mesa para cobrar a dívida.
Gonçalves afirma que no depoimento, o suspeito disse que “Rafael estava devendo um valor a ele, que Rafael intimidou ele lá, ficou olhando para ele e depois se coçou e ele veio agir, segundo ele, em legítima defesa”, conta.
O que diz o suspeito
Em entrevista à emissoras, o suspeito alegou que a arma usada no crime não era sua e foi levada com a finalidade de proteção. Ele disse que havia consumido bebida alcoólica e que a situação ocorreu de forma rápida. “Em momento nenhum eu fui para aquele local para tirar a vida dele, eu só queria pegar o meu dinheiro e acabei ficando no prejuízo”, declarou.
Após o disparo, o homem afirmou que deixou o local em estado de desespero e retornou para casa. Nesta quinta (15), decidiu se apresentar às autoridades. “Eu sei que errei e vim aqui para assumir meu erro. Não estou fugindo”, disse.
A advogada do suspeito, Maria Júlia Leonel, informou que orientou a apresentação espontânea à polícia e afirmou que o cliente pretende colaborar com as investigações. Segundo a advogada, a cobrança da dívida não ocorreria dentro do restaurante e o confronto teria sido motivado por uma confusão que já estava em andamento no local.
A advogada também declarou que o suspeito sabia que seria responsabilizado pelo ocorrido e que a apresentação à polícia tinha como objetivo esclarecer os fatos. A defesa do suspeito sustenta que não houve intenção de execução e que a situação se desenvolveu de forma não planejada.
O caso é investigado pela 15ª Delegacia de Polícia de Homicídios (15ª DPH) da Polícia Civil de Pernambuco.