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Casa de educação e integração cidadã transforma vidas de meninas do Centro do Recife

Há 32 anos, a Casa Menina Mulher atua educando e auxiliando meninas, pré-adolescente e jovens adultas do centro do Recife na prevenção e enfrentamento à violência de gênero

Nicolle Gomes

Publicado: 14/01/2026 às 05:52

Jovens participam de atividadesrelizadas por entidade/Divulgação

Jovens participam de atividadesrelizadas por entidade (Divulgação )

É no centro do Recife que, há 32 anos, a luta feminina promovida pela Casa Menina Mulher (CMM) atua educando meninas de diversas idades e em situação de vulnerabilidade para o exercício de uma cidadania plena e de enfrentamento às violências de gênero.

Fundada por um grupo de mulheres que buscava estruturar um auxílio especificamente para garotas em vulnerabilidade social, a Casa Menina Mulher promove ações pedagógicas, oficinas culturais, apoio psicossocial e qualificação profissional para as crianças e jovens do Coque, Ilha de Joana Bezerra, São José e Coelhos, bairros da região central do Recife.

“Nós trabalhamos fazendo um recorte de gênero, atendendo crianças, adolescentes e jovens do sexo feminino, a partir de 6 até 18 anos e jovens até 24 anos. Nossas ações são várias, mas o eixo da prevenção e do enfrentamento das violências, seja sexual ou a exploração sexual. Esse é o nosso eixo mais forte”, diz Lurdinha Sousa, uma das fundadoras e atual coordenadora executiva da organização.

Atualmente, 90 meninas e jovens são assistidas pelo trabalho promovido pela Casa Menina Mulher, que pode auxiliar até 120 garotas simultaneamente, com as várias atividades ofertadas conforme a idade. A prioridade é o programa de educação complementar, destaca Lurdinha.

“Nesse programa de educação complementar, nós oferecemos informática educacional, oficinas de robótica, de arte e terapia e de pintura criativa, despertando criatividade, cognição, e coordenação motora. Temos também a oficina de autoproteção, que trabalha com orientação e informação para elas, além da oficina de formação política e cidadania, trabalhando o empoderamento feminino para que elas possam atuar em espaços políticos. Tudo para que elas tenham uma formação continuada e que atuem fora da casa também”, explica a coordenadora.

Apoio em forma de rede

A educação de base também é uma vertente importante. Muitas meninas não aprendem a ler e escrever na idade correta, o que pode prejudicar o aprendizado em outras fases da vida. Com o apoio e educação recebidas na Casa Menina Mulher, a expectativa é de que as jovens possam ser agentes de transformação.

“Queremos que essas adolescentes possam também multiplicar essas informações dentro da rede pública de educação, serem também essas protagonistas, sobretudo atuando, levando informação sobre a questão da violência”, revela Lurdinha.

A Casa Menina Mulher também atua junto às famílias das atendidas, para promover um trabalho de cuidado em todos os âmbitos de vivências das garotas.

“Queremos aproximar essas famílias da instituição e, ao mesmo tempo, instrumentalizar com conteúdos, com informações, com dicas, uma família que muitas vezes é fragilizada. Nesse processo, nós buscamos a articulação com universidades, com programas de atendimento psicológico, fazemos encaminhamentos, não só para as meninas e adolescentes, mas também para a família”, detalha a co-fundadora.

O trabalho não para

Nessa jornada, que no próximo dia 27 de janeiro completa 32 anos, ainda há muitas expectativas e trabalhos para o futuro.

“A nossa intenção é trabalhar o fortalecimento dessas meninas e adolescentes, que elas possam reconstruir projetos de vida onde elas deem essa virada de chave e que possam, sim, ter capacidade”, aponta Lurdinha.

Ela também destaca a importância do trabalho social em muitas regiões onde as organizações locais podem efetivamente fazer a diferença.

“Esperamos que essas meninas venham muito dispostas, motivadas e que também os gestores municipais, estaduais o federal também olhem para as organizações. Nós somos parceiros. Para desenvolver propostas, precisamos de recursos. E os recursos cada vez mais são limitados”, argumenta.

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