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População de baronesas em trecho do Rio Beberibe em Olinda chama a atenção para poluição fluvial

Trecho do Rio Beberibe em frente ao Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda, no Grande Recife, está completamente tomado por baronesas, plantas bioindicadoras de poluição

Nicolle Gomes

Publicado: 09/01/2026 às 20:52

Baronesas em Olinda/Foto: Crysli Viana/DP Foto

Baronesas em Olinda (Foto: Crysli Viana/DP Foto)

Em frente ao Mercado Eufrásio Barbosa em Olinda, no Grande Recife, um trecho do Rio Beberibe chama a atenção pela quantidade de baronesas que tomaram completamente a área do curso d'água que cruza aquele ponto. Conhecidas por serem plantas bioindicadoras de poluição em ecossistemas aquáticos, elas podem, inclusive, representar riscos para a biodiversidade local.

Segundo o biólogo Maurício Dália o aumento na proliferação das baronesas é antigo no Recife e em Olinda. Ainda de acordo com o ecólogo, a planta está na lista oficial das 100 espécies exóticas invasoras mais perigosas do mundo.

“O perigo vem devido a essa super população que ela gera, que ocasiona vários fatores negativos para o ecossistema em que ela se comporta, pelo fato de concorrer sob os recursos das espécies nativas de plantas e também tapar a entrada de luz para a coluna água, interferindo em todo processo da dinâmica do lago ou rio, nas espécies que precisam de luz e até no aquecimento da água que gera correntes/movimentação da água”, explica.

As baronesas se reproduzem em águas ricas em nutrientes como as poluídas por esgoto. De acordo com mestre em ecologia Maurício Dálio, a Baronera (Eichhornia crassipes) é uma planta aquática comum na América do Sul e “altamente adaptada ao ambiente de água doce, quando não possui seu predador natural, como grandes herbívoros, e uma alta concentração de matéria orgânica, como vinda de esgotos, nossos rios e lagoas podem ter este boom populacional”.

Ele explica que em períodos de chuva, elas são arrastadas para estuários e que o excesso destas plantas causa desequlíbrio. “Infelizmente, este desequilíbrio ecológico, que proporciona a superpopulação, consequentemente gera um fator que afeta muito os ambientes aquáticos, devido o bloqueio da luz do sol na coluna d’água, que é importante para outras espécies e a dinâmica das correntezas (parte da energia vem do calor).”

Ela não apresenta riscos a humanos, mas sim a animais e outras espécies de plantas. “Ela é considerada uma das 100 espécies exóticas invasoras mais perigosas, pois podem interferir gravemente na dinâmica ecológica de espécies nativas de outros ambientes no mundo. São baixas as chances de conseguirmos reverter esse efeito”, alerta Maurício.

“O que resolveria de fato é a diminuição da liberação que nós fazemos de matéria orgânica nos rios e lagos e reativar a dinâmica ecológica com a predação natural por grandes herbívoros, dos quais foram extintos aqui por nós a centenas de anos”, complementa o biólogo.

O que diz a Prefeitura de Olinda

Procurada pelo Diario, a Prefeitura de Olinda informou que realiza a limpeza periódica de canais em diferentes pontos do município, buscando a melhoria das condições ambientais, a preservação da biodiversidade presente nos cursos d’água e a prevenção de alagamentos e outros transtornos, especialmente durante as chuvas.

Segundo a gestão, “o trabalho é executado de forma contínua em toda a cidade, incluindo trechos do Rio Beberibe e seus braços, como o localizado em frente ao Mercado Eufrásio Barbosa, com base em critérios técnicos e no monitoramento das condições ambientais de cada área”.

Por fim, a prefeitura afirmou que a Diretoria de Meio Ambiente da cidade vem reunindo esforços para a elaboração de um estudo futuro de acompanhamento ambiental, que permitirá uma análise mais sistemática de indicadores de poluição nos canais do município.

Não foram informados planos de ações de limpeza na região ou prazos para retirada das plantas na região apontada.

O que diz a CPRH

O Diario procurou a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), para saber se há fiscalização ou ações específicas para os cursos de água na cidade de Olinda.

Em resposta, o órgão informou que monitora o rio Beberibe em dois pontos: na Guabiraba, e na divisa das cidades Olinda e Recife. Especificamente no local citado, em frente ao Mercado Eufrásio Barbosa, a CPRH não realiza coleta de água para análise.

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