Abandonada por tutores no Natal, cadela fica 6 dias no aeroporto do Recife até ser resgatada
A cadela foi abandonada em 25 de dezembro do ano passado, Dia de Natal, e passou uma semana no Aeroporto do Recife, na Zona Sul da Capital, até ser adotada por uma família do Grande Recife
Publicado: 05/01/2026 às 14:05
Saúna está na casa da nova família, em Porto de Galinhas (Redes Sociais )
Uma cadela foi adotada após ser abandonada e ficar seis dias no Aeroporto Internacional do Recife/Gilberto Freyre/Guararapes, na Zona Sul da capital pernambucana.
O animal foi deixado para trás pelos antigos donos, após um problema na documentação necessária para se viajar com um bicho de estimação.
O caso aconteceu no último Natal (25), viralizou nas redes sociais na sexta (2), e teve um desfecho feliz.
Nesta segunda (5), a reportagem do Diario conversou com a mulher que decidiu adotar o pet. Jessyca Paixão, de 31 anos, contou que, segundo testemunhas no aeroporto, a cadela iria viajar com a antiga família, mas devido a problemas na documentação, foi deixada para trás.
“Na hora de viajar, parece que as documentações estavam incompletas, alguma coisa assim, tiraram a coleira, deixaram ela lá jogada e foram embora. As pessoas do aeroporto, os taxistas, todo mundo confirmou essa história”, afirmou.
Jessyca foi uma das primeiras pessoas a ver o vídeo no Instagram e manifestar o desejo de adotar a cadelinha, agora batizada com o nome de ‘Saúna’.
“Eu não pensei em duas vezes quando vi a história. Tinha acabado de comentar. Acho que fui a quinta a fazer o comentário. Ela tinha acabado de postar, e eu já falei logo: ‘alguém já adotou ela? Eu quero ela’. Eu já estava me organizando com a mulher que divulgou o vídeo para ir buscar Saúna no Aeroporto, mas apareceu um lar temporário. A gente já ficou mais tranquilo, sem pressa, porque ela ia para casa da Rafaela, ficar à noite lá para depois vir para aqui para casa. E nesse tempo ela foi alimentada e depois a Rafaela trouxe ela até mim”, contou.
Saúna é dócil e muito amorosa e não tem sinais de maus tratos ou condições físicas limitadas, compartilhou Jessyca. Ela já está no novo lar em Porto de Galinhas, no litoral sul de Pernambuco, com Jessyca, o marido dela e outros cinco cachorros. A conexão, segundo a tutora, foi instantânea.
“Não hesitei em adotá-la, porque eu tenho vários cachorros aqui em casa. São cinco pets, seis com ela, agora. A gente tem um amor muito grande por eles e a gente jamais faria isso. Ela é extremamente doce, parece que já é da gente há muitos anos. Ela parece um bebezão. Ela está muito bem, graças a Deus, muito bem-adaptada aqui em casa”, relatou.
Sobre a escolha do nome, Jessyca explicou que aconteceu por afinidade com a pescaria, um hobby do casal.
“Eu achei tão lindo esse nome, porque a gente é um casal de pescadores e ele falou bem assim: ‘Saúna’. Sauna é o nome de um peixe, mas eu achei tudo lindo, eu falei: ‘uma entonação tão bonita, esse nome e vai ser o nome dela’”.
A empatia da adoção
Jessyca compartilhou o sentimento de poder dar um final feliz para a Saúna.
“É uma felicidade, muita felicidade para a gente. Eu nem pensava que ia dar essa a repercussão toda. Primeiramente, a gente só pensou o que a gente sempre faz, porque já resgatamos vários outros animais. A gente resgata, cuida, solta na natureza, levamos para o povo adotar também. Já temos esse hábito, amamos muito os animais. São seres iguais à gente, não é lixo para ser descartado”.
A nova família de Saúna disse estar segura, caso dos antigos tutores voltarem a procurar a cadelinha.
“A gente não tem nenhum receio, até porque o abandono é crime. Já gente investigando esse caso. Então, se a gente não tem nenhuma preocupação não, até porque o que eles fizeram não é coisa de ser humano, então a gente nem se preocupa com isso não, a gente sabe dos nossos direitos. Eles não têm mais voz porque fizeram isso”, contou Jessyca.
A tutora também destacou a importância da adoção e como casos como o de Saúna podem incentivar positivamente a ação.
“É bom porque isso tudo incentiva, abre os olhos também de muitas pessoas. Existem pessoas que não foram feitas para ter bichinhos, então fica de alerta, e também incentiva muita gente a cuidar, a adotar também. Eu fico muito feliz assim por esse lado, sabe, da repercussão”.
Investigação
O Diario procurou a Aena Brasil, empresa responsável pela operação do Aeroporto do Recife. A empresa afirmou que não pode confirmar que a documentação foi o motivo do abandono por não conseguir localizar a companhia aérea com a qual a cadela viajaria.
Adoção responsável
No Recife, quem quiser adotar um pet e dar uma nova chance a bichinhos tem algumas opções seguras e gratuitas, como a plataforma Adota Pet e algumas ONGs como o Cantinho da Filó.
O Adota Pet já garantiu um novo lar para quase 170 cães e gatos por meio da tecnologia desde 2023. A plataforma ajuda a população a encontrar o animal ideal no site, e iniciar o processo de adoção, sendo possível conhecer o pet por chamada de vídeo, sem a necessidade do deslocamento até o local onde o cão ou gato se encontra (https://adotapet.recife.pe.gov.br/ ou através do APP Conecta Recife).
Outra facilidade promovida pelo Adota Pet é uma parceria com a Uber. A iniciativa permite que os animais adotados por meio da plataforma possam ser levados até suas novas casas com o suporte do serviço Uber Pet.
A ação conta com a distribuição de vouchers mensais no valor de R$ 40, custeados integralmente pela empresa de aplicativo, que poderão ser utilizados em corridas realizadas exclusivamente pelo Uber Pet no Recife. Os cupons serão concedidos de forma gratuita.
ONG
Há cinco anos, a ONG para adoção de Pets Cantinho da Filó deu início a um sonho de gerar uma clínica que, posteriormente, se transformou em hospital, o Hospital Veterinário SOS Animal.
A unidade de saúde e o abrigo se retroalimentam, pois os investimentos da clínica e do hospital são revertidos para o abrigo, que atualmente possui 500 animais à espera de um lar. Quem adota no hospital, tem garantido a microchipagem do PET, vermifugação, todos os exames preliminares de adoção, além de castração na idade certa e as demais consultas que se fizerem necessárias.