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PERFIS LIMITADOS

Restrições a perfis de Trump sinalizam mudança nas redes, dizem especialistas

Publicado em: 16/01/2021 08:00 | Atualizado em: 15/01/2021 20:15

 (Foto: Saul Loeb/AFP)
Foto: Saul Loeb/AFP
Ao longo dos quatro anos de mandato, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou massivamente as redes sociais para se posicionar, e chegou a ter diversas publicações classificadas pelas próprias plataformas como imprecisas ou inverídicas. A situação ficou mais complicada depois da invasão de apoiadores do republicano ao Capitólio no último dia 6, que deixou quatro mortos. Acusado de ter incentivado o ato, Trump teve contas em diversas redes sociais suspensas ou banidas. Esse banimento vem repercutindo em diversos setores da sociedade, sobretudo no campo político.

Para Bruno Gueiros, especialista em Ciência Política e doutorando em Ciências da Comunicação, Trump atua forçando limites. “Existem condutas e posições que não são regras explícitas da democracia, mas que de modo geral eram respeitadas pelos líderes políticos. Trump rompe essa tradição e utiliza as redes sociais digitais como campo prioritário de propaganda, porque nelas não encontra freios das instituições e porque percebe que nesse ambiente pode moldar o discurso para reforçar suas narrativas”, afirma.

Vitor Diniz, mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, vê as restrições como algo histórico e de grande impacto. “Se alguém me dissesse, há um ano, que o presidente dos Estados Unidos, a maior democracia do mundo, tem uma conta numa rede social excluída, ou banida, eu não acreditaria”, diz. Sem precedentes, os reais impactos para o futuro da política dos EUA ainda são imprevisíveis. “Vamos falar sobre essa decisão por muito tempo ainda, e ela tem um impacto muito grande na política também, na política americana e na política mundial”, acredita.

Restrições nas redes e instabilidade política

De acordo com Bruno Gueiros, a discussão em torno do afastamento de Trump das redes sociais é uma oportunidade para as empresas reverem condutas permissivas e de repressão a conteúdos falsos e preconceituosos.“No fim das contas, o compartilhamento de conteúdo está ligado à sua pertinência a um conjunto de convicções. Por isso, é ilusão enfrentar uma avalanche de falsidades colocando avisos em tuítes”, diz.

Para o especialista, as restrições a Trump são tardias. “Nesse contexto, a liberdade de expressão não pode ser desculpa para intolerância, autoritarismo e opressão. Não podemos considerar como negativo banir perfis que reiteradamente espalham desinformação ou estimulam a violência. Cada vez que alguém com amplo alcance nas redes sociais publica uma mentira e nada acontece, ela toma mais espaço e ganha mais confiança para continuar postando conteúdo falso”, enfatiza.
Rede de televisão Fox News mostra lista de redes sociais que impuseram restrições a Donald Trump; assunto repercutiu na internet (Foto: Reprodução/ Twitter)
Rede de televisão Fox News mostra lista de redes sociais que impuseram restrições a Donald Trump; assunto repercutiu na internet (Foto: Reprodução/ Twitter)

A decisão de limitar contas do presidente norte-americano vem depois da invasão ao Capitólio, e é mais um episódio de um mandato controverso, em um momento conturbado. “Há uma instabilidade política, porque se acaba alimentando ainda mais a divisão da sociedade, mas as instituições americanas continuaram funcionando. A força das instituições diminuiu o impacto de uma instabilidade gerada por um presidente que ainda está no poder”, afirma Vitor Diniz.

Uma onda de instabilidade política pode atingir só os Estados Unidos como outros países, a exemplo do Brasil. Não é novidade o alinhamento que o presidente Jair Bolsonaro tem com as ideias de Trump. Durante a campanha do norte-americano pela reeleição, por exemplo, Bolsonaro declarou torcida pelo republicano e, com a divulgação do resultado nas urnas, foi o último líder mundial a reconhecer a vitória do democrata Joe Biden.

Apesar da afinidade política e da forte relação com o uso de redes sociais, característica também do líder americano, Diniz não vê a possibilidade de algo semelhante ao ocorrido no Capitólio dos EUA acontecer por aqui. “No Brasil, ainda há um caminho mais longo a ser percorrido”, garante. “Isso gera uma pressão global sobre líderes que usam as plataformas para discursos anti-democráticos ou preconceituosos. Mas ainda há uma distância entre o que aconteceu nos Estados Unidos e o que acontece atualmente no Brasil”, afirma.

Impeachment ao apagar das luzes?

Prestes a encerrar um mandato de quatro anos à frente da maior potência econômica global, Trump enfrenta, agora, o segundo processo de impeachment aprovado pela Câmara, fato até então inédito na história do país. Caso seja aprovado, Donald Trump acusado de incitar a insurreição, pode perder o mandato e os direitos de ex-presidente, como uma aposentadoria no valor de US$ 200 mil por ano, ou uma cassação considerada “simbólica”, já que seria uma espécie de recado político aos republicanos.

O primeiro processo de impeachment ocorreu em dezembro de 2019, sob a acusação de abuso de poder e obstrução do Congresso, após ter pressionado o governo da Ucrânia a fornecer dados que prejudicassem o rival Joe Biden, que vai assumir a presidência do país no próximo dia 20 de janeiro. Na época, o republicano foi inocentado pelo Senado.
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