Papa pede que preocupações com IA sejam 'levadas a sério'
Leão XIV prometeu às vítimas de agressões sexuais dentro da Igreja, em Lourdes, impedir novos casos
Publicado: 28/09/2026 às 19:03
Papa Leão XIV chega no papamóvel para celebrar uma missa na Catedral de Saint-Étienne de Metz, em Metz, na França ( Alberto PIZZOLI / AFP)
O papa Leão XIV advertiu, nesta segunda-feira (28), que os alertas apocalípticos sobre a inteligência artificial (IA) "devem ser levados a sério", já que não são "notícias falsas", embora tenha dito não estar em "pânico".
"Se alguém me perguntasse: ‘você está em estado de pânico?’ Não, não estou. Durmo à noite", declarou aos jornalistas no avião de volta ao Vaticano após sua visita à França. Mas "acredito, sim, que as preocupações levantadas por muitos dos especialistas, especialistas em IA, devem ser levadas a sério", afirmou.
Durante sua visita apostólica à França, o papa americano advertiu repetidas vezes sobre a necessidade de proteger a humanidade da IA.
"Para não perdermos nossa humanidade em meio ao 'paraíso das máquinas', que invade e condiciona nossa vida cotidiana, é urgente que formemos mentes para o discernimento ético", disse Leão XIV em um discurso na sexta-feira em Paris.
O debate sobre os riscos associados a essa tecnologia se intensificou nos últimos meses, impulsionado por vários incidentes e alertas de profissionais do setor.
Durante o voo nesta segunda-feira, o papa disse que esses alertas não são "fake news, como alguns têm dito, destinadas a provocar, seja por razões financeiras ou por algum outro tipo de vantagem".
"Este é um problema que devemos, do meu ponto de vista, discutir juntos", acrescentou. E insistiu que "simplesmente dizer, 'Ah, isso não vai acontecer' e fechar os olhos para a questão não é provavelmente, na minha opinião, a forma mais responsável de proceder".
Em seu primeiro grande documento, a encíclica "Magnifica Humanitas" (Humanidade magnífica), publicada em maio, o líder da Igreja Católica fez um enérgico apelo para "desarmar" a IA a fim de "impedir seu domínio sobre os seres humanos".
Recentemente, o papa também intensificou suas intervenções e iniciativas em favor de uma governança internacional da IA baseada na dignidade humana, particularmente nas áreas de tecnologia nuclear, cultura e criação artística.
Agenda
A agenda do pontífice, de 71 anos, foi carregada: em Paris, além de criticar os vieses da IA e a "oferta de morte programada" com a eutanásia. Em Lourdes, prometeu às vítimas de agressões sexuais dentro da Igreja impedir novos casos.
A paz e a Europa protagonizaram a última etapa de sua viagem na cidade de Metz, em um contexto mutável entre a guerra na Ucrânia, o auge da extrema direita europeia e a imprevisibilidade do presidente americano, Donald Trump.
"Infelizmente, também na Europa, a guerra reapareceu nesta época (...) que a cada dia causa inúmeras vítimas civis", afirmou o papa durante um discurso no centro de congressos Robert Schuman.
"É preciso comprometer-se com um diálogo paciente, mostrar audácia na negociação e estarmos dispostos a sacrificar algumas posições pelo bem maior da paz", acrescentou Leão XIV, cujo pai desembarcou na Normandia durante a Segunda Guerra Mundial.