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ELEIÇÕES 2026

Campanha de Lula aceita condições no TSE sobre sigilos, mas impasse persiste sobre abrangência dos dados

A advogada Maria Claudia Bucchianeri afirmou que a campanha do senador só pretende abrir o sigilo após a análise das informações fornecidas pela equipe do presidente Lula

Bárbara Bittencourt e Raianne Romão

Publicado: 22/10/2026 às 13:19

O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro, candidatos à Presidência da República/EVARISTO SA / AFP

O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro, candidatos à Presidência da República (EVARISTO SA / AFP)

A disputa política em torno da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico ganhou um novo desdobramento nesta quinta-feira (22). A campanha do presidente Lula (PT) apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sua manifestação formal em resposta ao desafio proposto pelo senador Flávio Bolsonaro (PL).

Integrantes das equipes jurídicas de ambas as candidaturas estiveram na Corte Eleitoral para alinhar os procedimentos relativos à exposição pública dos dados financeiros e de comunicação dos presidenciáveis e de seus aliados políticos.

Da equipe do petista, compareceram ao tribunal o presidente nacional do PT, Edinho Silva; o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral); o ministro Paulo Pereira (Empreendedorismo); o senador Camilo Santana (PT-CE); e a deputada reeleita Camila Jara (PT-MS).

Mais cedo, o ministro Guilherme Boulos cobrou o candidato do PL em suas redes sociais. “Chegando no TSE com o documento assinado pelo Presidente Lula para liberação total do sigilo hoje. Vamos ver se Flávio Bolsonaro fará o mesmo. Aí o Brasil saberá quem é o ladrão”, declarou.

Logo após, chegou a representação de Flávio, composta pela advogada Maria Claudia Bucchianeri e pelo senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR). A advogada afirmou que a campanha do senador só pretende apresentar os dados telefônicos, fiscais e bancários após a análise das informações fornecidas pela equipe do presidente Lula.

A proposta de abertura das informações, lançada por Lula no debate da Band do último domingo (18), teve novos desdobramentos na quarta-feira (21), quando Flávio Bolsonaro condicionou a entrega de seus dados à divulgação prévia dos documentos do adversário, entre outras 19 exigências. No final da manhã desta quinta (22), a equipe petista formalizou o aceite de todas as condições impostas.

Entre as solicitações estão a quebra de sigilo de ex-integrantes da equipe presidencial, investigações e documentos sobre relações institucionais, além da publicação retroativa de gastos com cartões corporativos, despesas e agendas do Palácio da Alvorada.

Impasses

Lula afirma que "não se opõe a absolutamente nada" sobre a abertura de seus sigilos. Contudo, o chefe do Executivo insiste em que o desafio original proposto por ele deva ser cumprido em sua totalidade. Dessa forma, o petista exige que a campanha de Flávio inclua, na divulgação, os dados da empresa Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira e de propriedade do advogado Willer Tomaz, apontado como amigo próximo do adversário.

O petista destaca ainda, no documento enviado ao ministro André Mendonça, que "a régua da transparência deve ser a mesma para ambos os lados".

Já em relação à campanha de Flávio Bolsonaro, a defesa e os aliados do senador reagiram à reivindicação do lado oposto. A advogada da campanha, Maria Claudia Bucchianeri, declarou que o grupo analisará o material que Lula apresentar antes de protocolar os próprios dados.

"Nós pedimos que o sigilo não seja de 8 anos. Precisamos dar um passo além, Lula está no poder há 20 anos. Precisamos saber o padrão de vida do casal presidencial. A gente precisa verdadeiramente de uma transparência. Queremos os telefones que eram usados", afirmou a advogada.

A equipe de Flávio reforça que quer ter acesso aos dados de Lula antes de liberar os sigilos do senador, confirmando que o ex-procurador Deltan Dallagnol será o responsável pela checagem do material fornecido pelo adversário.

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