OpenAI entrega à PF diálogos de usuário do ChatGPT estudando assassinato de Lula
Conta foi encerrada em outubro, antes de empresa alertar órgão de inteligência. TSE também foi notificado
Publicado: 15/10/2026 às 18:28
Declaração de Lula aconteceu durante ato em São Paulo (MIGUEL SCHINCARIOL/AFP)
A empresa de inteligência artificial OpenAI alertou a Polícia Federal sobre interações de dois usuários com o ChatGPT, em que estudam a viabilidade de assassinar o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. Detalhes de um dos diálogos, entregues pelo órgão de inteligência ao Ministério da Justiça e Segurança Pública no início deste mês, foram divulgados nesta quinta-feira (15) pela Folha de S. Paulo.
De acordo com os registros a que a reportagem teve acesso, um dos usuários utilizou a ferramenta para calcular a viabilidade e os impactos de um possível atentado contra o petista. A OpenAI classificou o conteúdo como sensível, após ele relatar estar a cerca de 400 metros do presidente - quando o candidato estaria em um dos palanques de sua campanha à reeleição - e informar que tinha vontade de dar um tiro na cabeça de Lula. A cidade não foi informada.
“O que acontece se eu matar o presidente?”, “quantos anos eu pegaria (de pena)?”, indagou, junto ao envio de foto de uma torre, local onde teria o melhor ângulo para um possível ataque.
“Embora o usuário tenha declarado que não agiria e que não possuía uma arma, expressou o desejo de usar um fuzil de precisão (...) e fez referência a uma rota de fuga, binóculos e um AR-15 com luneta”, assinala o alerta da empresa.
As consultas em questão aconteceram em setembro, mas, ainda de acordo com o material entregue ao órgão de inteligência, os registros tiveram início em janeiro. Soma-se às consultas o compartilhamento de fotografias de armas brancas, receitas de explosivos, de símbolos nazistas, do desejo de agressão a parentes e pessoas próximas e de “fantasias violentas”. O usuário afirma que, se tivesse dinheiro, faria um massacre.
Monitoramento
Após o recebimento do material, o caso foi enviado pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; e ao ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva. A conta foi encerrada pela OpenAI no começo de outubro, quando o alerta foi enviado à PF, para avaliação “independente pelas autoridades policiais competentes”, indicou a empresa. A PF e o Ministério da Justiça não se manifestaram até o momento.
Esta não é a primeira vez que pesquisas em sistemas de inteligência artificial geram alertas. Em junho, um homem foi preso no interior do Espírito Santo, após planejar a morte do filho de 8 anos a fim de ser dispensado do pagamento de pensão alimentícia à ex-companheira. Diante das pesquisas frequentes, a empresa reportou ao FBI (Polícia Federal dos EUA), que repassou informações ao Ministério da Justiça, responsável por acionar a Polícia Civil do estado.
A OpenAI defende que o compartilhamento de dados de usuários, em casos como estes, visa “proteger direitos e bens e combater o uso abusivo dos serviços e sistemas” e que estaria em conformidade com os seus Termos de Serviço e Política de Privacidade. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi notificado, em atendimento ao “plano de conformidade eleitoral” apresentado à Corte.
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