Derrota de João Campos força PSB a recalcular rota e deixa sigla sem principais vitrines no estado
Especialista avalia que revés político pode ter um impacto positivo na trajetória do socialista, apesar de demandar uma reorganização no planejamento
Publicado: 08/10/2026 às 06:05
Líder da Frente Popular de Pernambuco sinalizou que pretende seguir politicamente ativo, sem entrar em detalhes sobre os próximos passos da carreira (Foto: Karol Rodrigues/DP Foto)
O resultado eleitoral do último domingo (4) impôs a primeira derrota nas urnas da carreira política de João Campos (PSB). Além disso, o revés representou, pela primeira vez em duas décadas, a saída do Partido Socialista Brasileiro do comando das duas principais vitrines políticas do estado, o Governo de Pernambuco e a Prefeitura do Recife, ciclo iniciado em 2006 quando Eduardo Campos assumiu a gestão estadual.
Em seu primeiro discurso após a derrota, o líder da Frente Popular de Pernambuco sinalizou que pretende seguir politicamente ativo, sem entrar em detalhes sobre os próximos passos da carreira. Para o socialista, o foco prioritário está no segundo turno da eleição presidencial. “A gente está no meio de uma caminhada. A semente foi plantada e, de minha parte, não desistirei do Brasil, nem de Pernambuco. A nossa prioridade absoluta é a reeleição do presidente Lula”, afirmou.
Engenheiro civil de formação, João iniciou a vida pública como chefe de gabinete na gestão do ex-governador Paulo Câmara. Em 2018, venceu a disputa eleitoral para deputado federal, atingindo o maior número de votos daquele pleito. Dois anos depois, ganhou a corrida pela Prefeitura do Recife e teve o mandato renovado em 2024, deixando o cargo este ano para tentar assumir o Executivo estadual.
Com a projeção conquistada pela boa avaliação de sua gestão municipal, além do cargo de presidente nacional do PSB assumido em junho de 2025, João Campos passou a ter o nome vinculado a projetos mais ambiciosos, que vão além das fronteiras do estado.
Para o cientista político Bhreno Vieira, o revés nas urnas na disputa deste ano pode ter um impacto positivo na trajetória do socialista, apesar de demandar uma reorganização no planejamento.
“Uma derrota, politicamente falando, serve como um grau de amadurecimento nesse cenário. Isso não inviabiliza outros voos no futuro. A questão toda é que isso vai retardar, de certa forma, os planos que ele possivelmente tinha nesse cenário, de conquistar o governo [de Pernambuco], possivelmente se conjecturar para outros cargos a nível federal”, avalia.
O deputado estadual reeleito Sileno Guedes, presidente do diretório do PSB de Pernambuco, afirmou que a avaliação interna do processo eleitoral deve acontecer após o retorno de João de Brasília, onde o socialista participa de reuniões com a campanha do presidente Lula.
Para Sileno, o resultado das urnas no estado decorre de um fenômeno nacional. “A avaliação que se faz, pelo menos inicialmente, é do tamanho que tomou a centro-direita no país inteiro. Eu acho que Pernambuco sofreu um pouco o reflexo disso também”, afirmou.
Fim de uma era
O ciclo de gestões do PSB no estado teve início em 2006 com a eleição de Eduardo Campos para o Palácio do Campo das Princesas, que cumpriu dois mandatos seguidos à frente do Executivo. Em seguida, Paulo Câmara assumiu o posto e também seguiu no cargo por dois mandatos.
Em 2022, a candidatura socialista representada por Danilo Cabral ficou apenas com a quarta posição, quando Raquel Lyra (PSD) saiu com a vitória. Na Prefeitura do Recife, o partido esteve à frente de 2020 a 2026, quando João Campos deixou o cargo no meio do segundo mandato para disputar o Governo.
Segundo Vieira, a saída de cena da legenda tem um peso simbólico importante, mas na prática a gestão municipal da capital segue comandada por um aliado, o prefeito Victor Marques (PC do B), que estava como vice até a saída de João Campos, e permanece no campo de influência do partido.