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Política
ELEIÇÕES 2026

Humberto Costa e Marília Arraes são eleitos senadores por Pernambuco

Pedetista conquista pela primeira vez uma cadeira na Casa Alta, enquanto petista chega ao terceiro mandato consecutivo, feito inédito no estado

Alexandre Cunha e Amauri Lins

Publicado: 04/10/2026 às 21:09

Senadores eleitos em Pernambuco/Fotos: Weslly Gomes/DP Foto e Crysli Viana

Senadores eleitos em Pernambuco (Fotos: Weslly Gomes/DP Foto e Crysli Viana)

Pernambuco elegeu Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT) para representar o estado no Senado Federal pelos próximos oito anos. Os dois conquistaram neste domingo (4) as duas cadeiras pernambucanas em disputa nas eleições de 2026.

Humberto, com 27,06%, assegurou a reeleição e ampliou uma trajetória de 16 anos no Senado: ao fim do novo mandato, em 2035, serão 24 anos consecutivos ocupando uma das três cadeiras destinadas a Pernambuco. Já Marília garantiu pela primeira vez uma vaga na Casa Alta do Congresso Nacional, com 24,95%. 

A eleição também marca capítulos distintos nas trajetórias dos dois aliados. Para Humberto, a vitória tem peso histórico. Eleito pela primeira vez em 2010 e reconduzido ao cargo em 2018, o petista chega agora ao terceiro mandato consecutivo como senador — feito inédito na política pernambucana.

Marília retorna a Brasília quatro anos depois de deixar a Câmara dos Deputados e após disputar, em sequência, a Prefeitura do Recife, em 2020, e o Governo de Pernambuco, em 2022. Nas duas ocasiões, chegou ao segundo turno, mas acabou derrotada.

Os dois integraram, nesta eleição, a chapa encabeçada pelo candidato derrotado João Campos (PSB), que disputou o Governo de Pernambuco com Raquel Lyra (PSD), reeleita no primeiro turno. .

Humberto chega ao terceiro mandato consecutivo

Formado em Medicina pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Humberto Costa começou o envolvimento na política ainda durante o movimento estudantil, além de ter atuado em entidades representativas de sua categoria. Possui ainda uma graduação em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). Em 1990, conquistou o primeiro cargo eletivo ao ser eleito deputado estadual para a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).

Quatro anos depois, foi eleito deputado federal. Em 1998, tentou pela primeira vez uma vaga no Senado Federal, mas não foi eleito. No ano 2000, retornou ao Recife para disputar uma vaga de vereador, sendo eleito com a maior votação da história do município até o momento, com 27.815 votos. Deixou a vereança em 2001 para assumir o cargo de Secretário Municipal de Saúde do Recife, na gestão do prefeito João Paulo (PT).

Em 2003, migrou para o Executivo nacional ao assumir o Ministério da Saúde na primeira gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em 2006, disputou o Governo de Pernambuco, mas ficou em terceiro lugar e não seguiu para o segundo turno. Na ocasião, Eduardo Campos (PSB) foi eleito e Humberto passou a integrar a gestão como Secretário de Estado das Cidades de Pernambuco.

O primeiro mandato de senador veio em 2010, quando recebeu pouco mais de 3 milhões de votos e ingressou na Casa Alta ao lado de Armando Monteiro (PTB). Atuou como líder dos governos de Dilma Rousseff até sua destituição, quando passou a liderar a oposição a Michel Temer. Em 2018, teve o mandato renovado ao receber pouco mais de 1,7 milhão de votos. Agora, Humberto chega à marca histórica de três mandatos consecutivos, feito inédito em Pernambuco.

Marília chega ao Senado após duas disputas pelo Executivo

Formada em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Marília Arraes é herdeira de uma das famílias mais tradicionais da política pernambucana. Neta do ex-governador Miguel Arraes, iniciou sua trajetória como secretária de Juventude e Emprego na gestão do ex-governador Eduardo Campos, entre 2007 e 2008. Deixou o cargo para assumir uma cadeira de vereadora na Câmara do Recife, onde cumpriu três mandatos pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) até seguir para a disputa de uma vaga em Brasília.

Em 2018, filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT), foi eleita deputada federal com a segunda maior votação do estado, somando 193.108 votos, ficando atrás apenas do primo João Campos, que teve 460.387 votos. Dois anos depois, os primos voltaram a se enfrentar nas urnas, desta vez na corrida pela Prefeitura do Recife. A campanha foi marcada por duros ataques mútuos que motivaram o rompimento da relação. João saiu vitorioso no segundo turno com 56,27% dos votos, enquanto Marília teve 43,73%.

Em 2022, os primos se reconciliaram quando Marília concorreu ao Governo de Pernambuco e foi apoiada por João. Após atritos internos com o PT, que optou por não investir em sua candidatura ao Executivo, migrou para o Solidariedade e entrou na disputa. No primeiro turno, saiu na frente contra Raquel Lyra, que à época estava filiada ao PSDB. Porém, acabou sofrendo uma virada no segundo turno, quando Raquel teve 58,7% dos votos totais, contra 41,3% de Marília.

Agora, quatro anos depois daquela disputa, Marília volta a conquistar um mandato eletivo e retorna ao Congresso Nacional, desta vez para ocupar uma das três cadeiras de Pernambuco no Senado.

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