Flávio Bolsonaro acusa integrantes da CNBB de espalhar "fake news"
Sem apresentar provas, o primogênito de Jair afirmou que o PT já trabalhava havia dias para fazer a informação ganhar força
Armando Holanda - Correio Braziliense
Publicado: 27/09/2026 às 20:26
Flávio Bolsonaro durante convenção do PL na Paraíba. (Foto: Reprodução/YouTube)
Senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL) acusou, neste domingo (27/9), integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de terem ajudado a disseminar a informação falsa de que ele pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A declaração eleva a temperatura do embate entre o candidato e setores da Igreja Católica a uma semana do primeiro turno.
Sem apresentar provas, Flávio afirmou que o PT já trabalhava havia dias para fazer a informação ganhar força nas redes sociais e que teria conseguido impulsioná-la com auxílio de pessoas ligadas à entidade que representa o episcopado católico brasileiro.
“O PT, eu sei, hoje já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news, conseguiu com a ajuda de gente dentro da CNBB, infelizmente, essa realidade”, afirmou o candidato durante entrevista em Goiânia.
Flávio classificou o episódio envolvendo Nossa Senhora Aparecida como “a maior fake news dessa campanha”. Não há, de fato, proposta apresentada pelo candidato para retirar da santa o título de Padroeira do Brasil. O projeto que previa uma alteração semelhante foi apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victorio Galli e acabou arquivado pela Câmara no ano seguinte.
A acusação contra integrantes da CNBB ocorre em um momento de maior presença de setores da Igreja Católica no debate eleitoral. Nos últimos dias, bispos e dioceses divulgaram manifestações sobre democracia, pobreza, meio ambiente, soberania nacional e critérios para o voto, sem indicar formalmente apoio a um candidato.
Na quarta-feira (23/9), antes de a polêmica ganhar maiores proporções, o presidente da CNBB, dom Jaime Spengler, afirmou em conversa com jornalistas que a Igreja Católica não se manifesta sobre questões político-partidárias nem declara preferência por candidatos. Questionado sobre a mistura entre religião e política, disse que experiências históricas nesse sentido não tiveram resultados positivos.
O embate ganhou força depois que circulou nas redes sociais a informação de que Flávio pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o posto de Padroeira do Brasil. O próprio candidato reagiu ainda na quinta-feira (24/9), classificando a afirmação como falsa e dizendo que não existe qualquer projeto nesse sentido.
A discussão acabou chegando também ao Judiciário. Na sexta-feira (25/9), o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a retirada de publicações sobre o assunto. Neste domingo, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou a determinação e ordenou o restabelecimento de conteúdos retirados com base na decisão de Mendonça. Dino argumentou que a medida poderia atingir as liberdades de expressão e religiosa.