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Entidades afirmam que críticas de Flávio Bolsonaro à mistura na gasolina desinformam o consumidor

Entidades também destacaram que a Lei do Combustível do Futuro foi aprovada pelo Senado em 2024 com a participação do candidato do PL à presidência

Estadão Conteúdo

Publicado: 24/08/2026 às 13:44

O senador também disse que

O senador também disse que "pagou pela gasolina, tem que levar gasolina" e citou a discussão sobre possíveis danos aos motores (Agência Senado)

Entidades representantes dos produtores de açúcar e etanol rebateram na sexta-feira passada (21) a declaração do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que comparou a mistura de 32% de etanol anidro na gasolina à chamada "reduflação" - prática de reduzir a quantidade de um produto mantendo o preço de venda - e afirmou que a proporção terá de ser revista em um eventual governo.

Em nota conjunta, as organizações disseram que a comparação "desinforma o consumidor" e desqualifica uma política de Estado construída ao longo de cinco décadas.

"A afirmação desinforma o consumidor e desqualifica uma política de Estado construída ao longo de cinco décadas", afirmam a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a União Nacional do Etanol de Milho (Unem), a Bioenergia Brasil, a Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), a União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida) e a Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana).

As entidades também destacaram que a Lei do Combustível do Futuro, que abriu caminho para a elevação da mistura, foi aprovada pelo Senado em 2024 com a participação de Flávio Bolsonaro. "Surpreende que a crítica parta de quem participou da decisão", afirmaram.

Durante live na quinta-feira (20), Flávio disse que a proporção de etanol na gasolina deveria ser discutida e comparou a mudança à redução da quantidade de produtos vendidos pelo mesmo preço, como barras de chocolate que encolhem de tamanho. "A gasolina também: uma parte virou etanol. Nem o combustível esse governo está poupando", disse.

O senador também afirmou que "pagou pela gasolina, tem que levar gasolina" e citou a discussão sobre possíveis danos aos motores.

Na nota, as entidades sustentam que o E32 foi implementado com base em avaliações técnicas e defendem que a mistura não prejudica o desempenho dos veículos. Segundo o setor, o Instituto Mauá de Tecnologia testou 16 modelos de automóveis e 13 motocicletas, representativos da frota de 1994 a 2024, com misturas de 27%, 30% e 32% de etanol, em laboratório e pista.

Os testes foram acompanhados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), fabricantes e importadores de veículos e motocicletas. Conforme as entidades, os ensaios apontaram "plena viabilidade, sem prejuízo ao desempenho ou ao consumidor".

A mistura de 32% de etanol anidro na gasolina passou a vigorar em 1º de agosto, por decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A Lei do Combustível do Futuro, aprovada em 2024, elevou para até 35% o limite da mistura.

As entidades também defenderam os efeitos econômicos e energéticos do biocombustível. O etanol é produzido em mais de mil municípios brasileiros e, segundo o setor, contribui para empregos, economia ao consumidor e soberania energética. "Com ele, o consumidor recebe mais: mais desempenho, mais economia na bomba, mais empregos e mais soberania energética", afirmaram.

O setor concluiu a manifestação dizendo que seguirá defendendo "com fatos e ciência" o uso de etanol e o patrimônio energético construído pelo Brasil.

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