Gilmar minimiza defesa de impeachment de ministros do STF por candidatos ao Senado da direita
Magistrado crê que, mesmo se eleitos, os pregadores deste discurso encontrariam dificuldades institucionais para levar tal ideia adiante
Publicado: 19/08/2026 às 13:58
Para Mendes, mesmo que algum desses nomes que prega tal discurso consiga se eleger, não terá condições de levar o processo adiante (ANTÔNIO AUGUSTO/STF)
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes disse nesta quarta-feira (19) considerar "equívoco" a defesa do impeachment de integrantes da Corte feita por candidatos de direita ao Senado. Segundo ele, mesmo que algum desses nomes consiga se eleger, não terá condições de levar o processo adiante.
"Eu acho que, primeiro, é um equívoco, mas é um equívoco compreensível, porque certamente algumas pesquisas indicam que isto tem um apelo eleitoral. Entre o pensamento e a ação, o pensamento e o gesto, vai uma distância enorme. Certamente, se alguém com essa bandeira se tornar senador, ele terá imensas dificuldades de implementá-la. Por quê? Porque o todo institucional caminhará talvez num outro sentido", declarou o decano do STF à imprensa, após participar da abertura da 5ª edição do Fórum Saúde, promovido pela farmacêutica EMS em parceria com o think tank Esfera Brasil, em Brasília.
Questionado se há risco de impeachment de ministros caso o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seja eleito presidente da República, Gilmar respondeu: "Não avalio, não imagino e também não vou trabalhar sobre cenários neste momento."
Flávio Bolsonaro vem defendendo a destituição de integrantes do STF e tenta construir maioria no Senado para levar o plano adiante a partir de 2027. Cabe à Casa Alta abrir o processo, com o apoio mínimo de 54 dos 81 senadores.