Base da chapa governista pode ser mais heterogênea
Até o momento, Miguel Coelho é o único integrante da majoritária de Raquel Lyra que está confirmado como pré-candidato para disputar uma das vagas ao Senado
Publicado: 22/03/2026 às 22:00
Governadora Raquel Lyra tem um palanque atrativo para qualquer candidato, avalia especialista (Miva Filho/Secom)
Do outro do tabuleiro, a governadora e pré-candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), utiliza a entrega de resultados para buscar uma base heterogênea. As estratégias puderam ser vistas na última sexta-feira (20), quando a governadora realizou quatro entregas, sendo uma delas a inauguração de uma creche, sua principal promessa de campanha na eleição de 2022.
Até o momento, Miguel Coelho (União Brasil) é o único confirmado para integrar a chapa majoritária da pré-candidata, sendo pré-candidato ao Senado após rompimento com João Campos (PSB). Para Priscila, o nome de Coelho leva a força do Sertão do São Francisco ao palanque de Raquel, que na última eleição foi “extremamente importante” para sua vitória.
Para a segunda vaga ao Senado, Priscila acredita que a governadora poderá trazer um nome forte de outras regiões do estado. “Na segunda vaga, ela tem condições de agregar outras regiões e tornar seu palanque ainda mais competitivo”, comenta a analista.
Isso porque, diferentemente do início do mandato, quando Raquel enfrentava baixa popularidade e isolamento, hoje ela detém a capacidade de "fazer escolhas". Segundo Priscila Lapa, ao longo de sua gestão, Raquel conseguiu recompor o apoio político na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) e atraiu vários nomes para o PSD, partido que ela detém o comando estadual.
“Então, hoje o palanque de Raquel tem condições de ser atrativo para qualquer aliado. Se antes, quando ela estava com baixa popularidade, ela tinha dificuldade de atrair alianças, agora ela tem é uma uma avaliação regular, que se estabilizou no âmbito mais positivo”, diz.
Federação União Progressista
No entanto, o palanque governista enfrenta problemas de conveniência com a formação da Federação União Progressista. “Em Pernambuco, essa união parece ainda mais confusa porque ao formá-la, alguém vai perder protagonismo”, afirma.
“No União Brasil temos Mendonça Filho e o núcleo Coelho; e no Progressistas (PP), o núcleo de Eduardo da Fonte, que não tem mais espaço dentro do governo, justamente por essa formação de chapa de Raquel, que traz Miguel como candidato ao Senado”, analisa.
Além disso, segundo Priscila, o PP de Eduardo da Fonte tem agora “o desafio de garantir a reeleição para ele e o filho, Lula da Fonte. Isso não é não é trivial, é muito voto para um único núcleo familiar”, completa.
O também cientista político Sandro Prado projeta que a eleição que está se formando em Pernambuco é um “equilíbrio bipolar clássico”. “Isso não existia em Pernambuco há muito tempo. Hoje, o cenário tende a ficar algo parecido com: João Campos com um bloco progressista consolidado, que traz os partidos PSB + PT + PCdoB + PDT + esquerda tradicional. E Raquel Lyra com bloco de centro + interior + direita moderada. Possivelmente, teremos uma disputa produtiva muito mais ideológica do que a de 2022, que foi bastante fragmentada”, observa.
Palanque de Anderson Ferreira
Pré-candidato a senador, o dirigente do PL em Pernambuco, Anderson Ferreira, não aparece ainda em nenhuma chapa. A cientista política Priscila Lapa explica que isso acontece porque construir palanques não é o modus operandi do bolsonarismo. “Eles se valem muito da força ideológica do nome Bolsonaro e do bolsonarismo para angariar votos, independentemente de palanque”.
Priscila examina que a candidatura de Raquel Lyra, que poderia abarcar Anderson como o segundo nome ao Senado, é independente do apoio dele. “Assim como em 2022, Raquel será cobrada o tempo inteiro sobre seu posicionamento nacional. Ela tem, sim, votos de eleitores de Lula e também da direita. Ela também representa o palanque alternativo àqueles que não querem de forma alguma que Lula se reeleja”, diz.
“Vamos ver o que é que vai convencer mais o eleitor. Se será uma chapa puro sangue para Lula e que demarque claramente qual o seu palanque em Pernambuco; ou se prevalecerá o voto descasado, com avaliações do governo em âmbito nacional e estadual”, finaliza Priscila.