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Política
Eleições 2026

Mês de março é decisivo para o cenário político pernambucano

Mês marca a abertura da janela partidária, prazo para troca de partidos de parlamentares que pretendem disputar as eleições deste ano

Mariana de Sousa

Publicado: 08/03/2026 às 22:00

Alepe/Blog Dantas Barreto

Alepe (Blog Dantas Barreto)

Com a abertura da janela partidária na última quinta-feira, o cenário político em Pernambuco entra em um mês decisivo para a reorganização das forças políticas, que já começam a se movimentar nos bastidores. O período, que vai até 3 de abril, permite que deputados federais e estaduais troquem de partido sem perder o mandato.

A expectativa é de que mais de 30 parlamentares no estado mudem de legenda, redesenhando forças na Assembleia Legislativa de Pernambuco, na bancada pernambucana na Câmara dos Deputados e também na Câmara Municipal do Recife.

Na Assembleia Legislativa, a estimativa é que mais de 20 deputados estaduais devam trocar de legenda. Na bancada pernambucana na Câmara dos Deputados também há expectativa de mudanças.

Entre os nomes cotados para troca de partido estão Túlio Gadelha (Rede), Maria Arraes (Solidariedade) para o PSB, Fernando Monteiro (PP) para o PSD, Guilherme Uchôa Jr. (PSB) para o PSD, Mendonça Filho (União Brasil) para o PSD, Luciano Bivar (União Brasil) para o PRD e Fernando Rodolfo (PL), ainda sem definição.

Na Câmara do Recife, o vereador Gilson Filho deve deixar o PL para se filiar ao Podemos. O objetivo da mudança é disputar uma cadeira na Alepe. A sigla é a mesma que se filiou o pai do vereador, o ex-ministro Gilson Machado Neto, que também deixou o PL. Gilson Neto queria disputar o Senado, mas informou na última semana que será candidato a deputado federal.

Essa movimentação de troca de legendas dos parlamentares poderá fortalecer partidos políticos como PSD, PSB, PP e Podemos, enquanto legendas como Solidariedade, União Brasil e PSDB podem sofrer um esvaziamento.

Alianças para governo e Senado
Para o cientista político Bhreno Vieira, as mudanças antecipam o desenho das alianças para o governo do estado e para o Senado.“Elas indicam posições e alianças que antes estavam nos bastidores e agora se transformam mais transparentes para o público. Ao migrar neste momento, parlamentares não apenas escolhem lados, mas indicam onde acreditam que estarão os polos viáveis de poder no próximo ciclo eleitoral.”

No caso do Senado, diz o especialista, “esse efeito é particularmente relevante”. “O número limitado de vagas (no Senado) e a necessidade de coordenação ampla tornam inviável a dispersão de candidaturas por partidos frágeis. Assim, a janela não define alianças como um acordo fechado, mas estabelece quem permanece no jogo e quem perde capacidade de barganha antes mesmo do início formal da campanha.”
O movimento de mudança de partidos é tratado como estratégico e, segundo Vieira, se trata de cálculo eleitoral. “Esse movimento é uma coordenação estratégica para a campanha”, afirma.


Movimento é estratégia eleitoral
De acordo com o cientista político Bhreno Vieira, “há pelo menos dois fatores que podem explicar (as mudanças)”. O primeiro é a própria polarização política no estado. “Há dois polos estruturantes na disputa esse ano em Pernambuco, que se dá em torno da polarização entre (Raquel) Lyra e (João) Campos, logo os parlamentares são meio que ‘empurrados’ a escolher um campo para assim desfrutarem de recursos, apoio e palanques”, analisa.

O segundo ponto envolve estrutura partidária. “Os partidos controlam os recursos para uma campanha sobreviver, como dinheiro ou tempo de rádio e TV, que são bem importantes. Além do que, quanto maior o partido, mais os parlamentares têm chance de ultrapassarem as cláusulas eleitorais. Então esses dois fatores fazem com que esse realinhamento entre as elites políticas aconteça nesse período de pré-campanha eleitoral”, explica.

Além da janela, o calendário eleitoral impõe outros marcos importantes. Até 4 de abril, seis meses antes do pleito, candidatos precisam estar filiados a um partido e com domicílio eleitoral definido. Esta data também é o prazo final para desincompatibilização de chefes do Executivo que desejam disputar outros cargos, além do registro de estatutos de novos partidos e federações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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