Gilmar Mendes ironiza Moro: "Não sabia se escrevia 'tigela' com G ou J"
Em sessão que celebra os 135 anos do STF, decano da Corte fala em narrativa de deslegitimação contra o Supremo e cobra "mea-culpa" da mídia sobre a Lava Jato
Giovanna Sfalsin - Correio Braziliense
Publicado: 26/02/2026 às 18:21
Ministro Gilmar Mendes (Victor Piemonte/STF)
Durante sessão solene em comemoração aos 135 anos do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (26/2), o ministro Gilmar Mendes fez críticas à cobertura da imprensa sobre a Corte e ironizou o senador Sergio Moro (União-PR), em discurso no plenário.
Ao comentar o que classificou como foco excessivo da mídia sobre o tribunal, o decano afirmou que, se um alienígena chegasse ao Brasil e acompanhasse apenas o noticiário recente, concluiria que “todos os problemas do país se restringem ao Supremo e que a Corte seria a única instituição brasileira a merecer aprimoramentos”.
“A propósito dessas idiossincrasias, também causa perplexidade que os mesmos veículos que araram a Lava Jato não tenham feito até hoje um mea-culpa ante os abusos comprovados pelos documentos da operação Spoofing”, declarou o ministro.
Mendes acrescentou que “muitos jornalistas importantes, hoje talvez até promovidos na mídia qualificada, eram ghostwriters de Moro e companhia”. "E veja, Moro precisava de ter ghost [writer], porque talvez não soubesse escrever com G ou com J a palavra tigela", disse.
Confira trecho em vídeo:
O ministro também afirmou que parte da imprensa desdenha as evidências e foca numa narrativa de deslegitimação da Corte.
Em outubro de 2025, a Primeira Turma do STF formou maioria para rejeitar um recurso e manter Moro no banco dos réus em um processo no qual é acusado de calúnia contra Gilmar Mendes. A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) após a divulgação de um vídeo, em abril de 2023, no qual o então senador teria atribuído ao ministro a prática de corrupção passiva relacionada à concessão de habeas corpus — acusação considerada falsa por Moro.
Confira a matéria no Correio Braziliense.