Senado é a peça central no tabuleiro das eleições de 2026
Para especialistas, disputa presidencial interfere no Senado e nas candidaturas estaduais, enquanto a polarização deixa os embates mais acirrados no Congresso
Publicado: 08/02/2026 às 22:00
Antecipação do debate eleitoral traz como consequência a redução do espaço para debater pautas estruturantes (Antonio Augusto/Secom/TSE)
A disputa presidencial deve impactar diretamente a formação das bancadas, tornando o Senado a peça central no tabuleiro de 2026. A avaliação é do cientista político Arthur Leandro, professor da UFPE.
“A eleição presidencial tem efeito direto sobre o Senado por dois motivos: primeiro, porque a disputa majoritária estadual é muitas vezes organizada em torno das candidaturas nacionais, com os senadores entrando no ‘palanque’ presidencial”, explica Leandro. Além disso, ele complementa que “o voto para o Senado tende a acompanhar o candidato a presidente, especialmente quando há forte identificação ideológica”.
Essa centralidade também é apontada pelo cientista político Hely Ferreira, que avalia que o PL na liderança pode tornar os embates mais frequentes. “Com certeza o PL assumindo a liderança no Senado, se poderá assistir com mais frequência embates bastante acirrados na Casa”, diz.
Segundo Ferreira, o Senado historicamente tem sido “mais próximo do presidente da República”, mas isso muda em ano eleitoral. “Em ano eleitoral certamente será muito mais acirrado os embates também na Câmara dos Deputados”, completa.
Ferreira também chama atenção para o caráter permanente da disputa política em Brasília. “Não é só 2026, o Congresso vive uma eleição constante”, afirma.
Para Hely, a antecipação do debate eleitoral reduz o espaço para pautas estruturantes. “Essa antecipação do debate faz com que muitas vezes as pautas sejam colocadas em segundo plano e os embates sejam antecipados”, diz.
Arthur Leandro também acredita que o Congresso tende a funcionar mais como palco do que como espaço deliberativo. “Como é comum em ano de eleições presidenciais, o Congresso começa o ano sendo um tipo especial de palco de campanha”, avalia.
Ele observa que a agenda deve travar a partir do segundo trimestre, avançando apenas propostas de apelo imediato. “O que avança são iniciativas com alto apelo simbólico, baixo custo político ou que possam ser instrumentalizadas eleitoralmente”, afirma.
Cenário polarizado
Na Câmara, apesar da liderança do PL, o cenário seguiria fragmentado segundo os especialistas. Para Leandro, não há maioria ideológica clara. “Não há maioria programática ou ideológica consistente.
O que há são blocos temáticos, como a bancada evangélica, a ruralista ou a de segurança”, analisa. Isso manteria o Executivo dependente de negociações pontuais. “Essa lógica de ‘presidencialismo de transação’ limita a possibilidade de reformas mais amplas”, completa.
Hely Ferreira relativiza o debate ideológico. “Não creio que a palavra ideologia caberia bem no que ocorre muitas vezes nos embates no congresso”, pondera. O especialista avalia que predominam disputas personalistas. “Eu vejo muito mais discursos no campo pessoal, do que no campo ideológico”, afirma.
O fortalecimento de bancadas alinhadas à direita pode funcionar tanto como contrapeso quanto como projeto de longo prazo. “Ambas as coisas. No curto prazo, essas bancadas já estão atuando como contrapeso direto ao Executivo”, resume Leandro. “O objetivo é consolidar um projeto de poder de longo prazo, o que envolve a construção de lideranças locais”, completa.
Já Ferreira critica a banalização da polarização. “Essa discussão direita e esquerda é uma discussão que tem se tornado um pouco banalizada no Brasil”, afirma. Para ele, a falta de flexibilidade prejudica a democracia. “Essas discussões neste caminho não amadurece não predomina, não fortalece em nada a nossa democracia”, destaca.