Lula defende que avanços sociais e econômicos ajudam a pacificar o país e a fortalecer a democracia
Presidente afirma que o objetivo do seu terceiro mandato é consolidar a inclusão, a democracia e o multilateralismo
Publicado: 05/02/2026 às 16:11
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva ( Ricardo Stuckert/PR)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou otimismo em relação ao momento vivido pelo Brasil. Em entrevista ao portal UOL, concedida à jornalista Daniela Lima, nesta quinta-feira (5), Lula afirmou que, independentemente das questões políticas envolvendo as eleições de 2026, o país vive um cenário de pacificação, resultado das entregas e dos avanços sociais e econômicos conquistados desde 2023.
“É um país que tem o maior aumento do salário mínimo, o maior aumento da massa salarial, a menor inflação da história contínua em quatro anos da história. Um país que tem a Bolsa crescendo continuamente, que recebeu, só no mês de janeiro, R$ 26 bilhões de investimentos externos. Um país que tem a maior concentração de população economicamente ativa. Um país que é respeitado pela China, pelos Estados Unidos”, disse o presidente.
Questionado sobre a divisão política, Lula indicou que o cenário não é exclusivo deste momento nem do Brasil, sendo observado diversas democracias do mundo. “Sempre foi dividido. Você era jovem, criança, quando o Brasil foi dividido entre Arena e MDB”, lembrou, referindo-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena) e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), únicos partidos legais no Brasil entre 1966 e 1979.
“A Alemanha é dividida entre CDU e SPD. A Espanha é dividida entre dois partidos, os Estados Unidos são divididos entre Republicanos e Democratas, a França é dividida. Todo país é assim. Você tem muitos partidos políticos que se juntaram, um bloco contra outro”.
Verdade e regime democrático
Para Lula, as eleições não são a prioridade neste momento. “Até junho sou presidente da República e tenho que entregar tudo o que prometi. Vou viajar esse país entregando”, disse, numa referência sobre as conquistas dos três primeiros anos de mandato. “O que quero é tentar criar uma consciência na cabeça do povo brasileiro de que a verdade precisa prevalecer. A verdade e o regime democrático. Eu dizia assim, em 2023: se eu terminar o mandato e o povo estiver tomando café, almoçando e jantando, eu já terei feito a obra da minha vida. Se eu conseguir manter o funcionamento do regime democrático, com pessoas democráticas governando o país, eu terei cumprido a segunda meta da minha vida: fortalecer a democracia e fortalecer o multilateralismo”.
Isenção do imposto de renda
Desde 1º de fevereiro, mais de 15 milhões de pessoas no Brasil passaram a ser beneficiadas em seus contracheques por uma das principais conquistas do terceiro mandato do presidente Lula: a isenção total do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a redução nos descontos para aqueles com renda mensal entre R$ 5 mil e R$ 7.350. Indagado sobre o tema, Lula exaltou a medida. “A questão do Imposto de Renda é uma novidade extraordinária, porque é a primeira vez na história que quem ganha até R$ 5 mil não vai pagar. Uma professora que ganha R$ 5 mil vai ter um ganho de R$ 4,8 mil por ano. É como um 14º salário”, lembrou Lula.
Fim da escala 6x1
Outro ponto defendido pelo presidente foi o fim da escala 6x1, uma das prioridades do Governo do Brasil no Congresso Nacional em 2026. Para o presidente, diante das novas tecnologias e de tudo o que elas trazem de benefícios para as empresas, não faz mais sentido que a escala atual seja a mesma de décadas atrás.
“Com os avanços tecnológicos que o Brasil teve, acha que é necessário as pessoas trabalharem na mesma jornada que trabalhavam há 40 anos?”, indagou. “Um jovem, uma menina, não quer mais se levantar às 5h da manhã e ficar até 6h (da noite) dentro de uma fábrica pegando ônibus lotado. Quem viveu no mundo do trabalho como eu sabe que hoje a juventude e as mulheres querem mais tempo para estudar, para cuidar da família. Com o avanço tecnológico, a produção aumentou muito”.
Para o Lula, o fim da escala 6 x 1 demandará amplo debate. “Essa não é uma tarefa só do governo. O governo tem que estabelecer uma discussão com o Congresso. Vamos estabelecer discussão com o empresariado e com os trabalhadores e fazer aquilo que é possível. O dado concreto é que está na hora de a gente fazer uma mudança na jornada para que o povo tenha mais tempo de estudar, de pensar”, concluiu.
Combate ao feminicídio
Ao ser questionado sobre o enfrentamento à violência contra mulheres e meninas, Lula afirmou que, após a assinatura do Pacto Nacional Contra o Feminicídio, nesta quarta-feira (4/2) pelos presidentes dos Três Poderes da República, o passo seguinte será consolidar propostas para que as leis aprovadas no país possam se tornar mais efetivas.
“Ontem fizemos a assinatura do Pacto Contra o Feminicídio. Na minha opinião, foi um gesto histórico, que marca a posição do Brasil na luta em defesa da mulher. A minha ideia de assumir a responsabilidade pessoal enquanto presidente era porque a luta da mulher não é uma luta só da mulher”, lembrou o presidente. Um dos pontos principais do pacto é conscientizar os homens, por meio de campanhas educativas, de que eles são parte fundamental da solução.
“Depois da Lei Maria da Penha, aumentou a violência contra a mulher. Nós tomamos a decisão de envolver os Três Poderes para assumir responsabilidade. Foi criada uma comissão com representantes do Poder Executivo, do Legislativo e do Judiciário. Essas comissões vão começar a apresentar propostas sobre como a gente torna exequíveis as leis aprovadas”, encerrou o presidente.