Governo Lula registra pagamento recorde de R$ 31,5 bilhões em emendas em 2025
Para 2026, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) reserva R$ 61 bilhões para emendas parlamentares
Publicado: 02/01/2026 às 12:02
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Reprodução/ Govbr)
O governo Lula encerrou 2025 com um recorde histórico na liberação de emendas parlamentares. Dados do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop) mostram que foram pagos R$ 31,54 bilhões ao longo do ano. Este é o maior valor nominal já registrado para esse tipo de despesa.
A tendência é de crescimento. Para 2026, ano de eleições presidenciais e legislativas, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), sancionada em 31 de dezembro de 2025, reserva R$ 61 bilhões para emendas indicadas por deputados federais e senadores.
Em 2025, o governo executou efetivamente 67% das emendas empenhadas. Do total de R$ 47,1 bilhões reservados ao longo do ano, R$ 31,5 bilhões foram pagos. O valor empenhado correspondeu a quase tudo o que havia sido autorizado no Orçamento, que inicialmente previa R$ 50 bilhões, mas foi reduzido para cerca de R$ 48,5 bilhões ao longo do exercício.
A trajetória recente mostra um crescimento consistente tanto nos empenhos quanto nos pagamentos de emendas. Em 2015, por exemplo, apenas R$ 44,9 milhões haviam sido pagos. Uma década depois, o montante supera R$ 31 bilhões, refletindo mudanças legais e políticas que fortaleceram o poder do Congresso sobre o Orçamento.
Do total pago em 2025, a maior fatia foi destinada às emendas impositivas, que responderam por 83,1% da execução. As emendas individuais somaram R$ 19,9 bilhões, enquanto as de bancada estadual alcançaram R$ 6,3 bilhões. Já as emendas não obrigatórias, controladas pelas comissões temáticas do Congresso, receberam R$ 5,3 bilhões e tiveram o menor índice de pagamento do ano, com execução de 47,4%.
Apesar disso, o governo empenhou quase todo o valor previsto para as emendas de comissão — R$ 11,2 bilhões, o equivalente a 98% do total autorizado. A diferença entre o que foi empenhado e o que não chegou a ser pago entrou na conta dos chamados “restos a pagar”, que poderão ser quitados nos próximos exercícios.
A liberação de emendas parlamentares foi um dos principais focos de atrito entre o governo Lula e o Centrão ao longo de 2025. Com maioria no Congresso, os partidos do bloco intensificaram a pressão sobre o Palácio do Planalto para acelerar os repasses, já que concentram o controle das emendas de comissão.
Ao final de 2025, ficaram pendentes R$ 5,9 bilhões em emendas individuais, R$ 5,3 bilhões em emendas de bancada e R$ 4,3 bilhões em emendas de comissão.