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ASSÃ?DIO

Lembranças amargas

Atleta do Minas, Mari Paraíba diz ter sido assediada na infância e na adolescência e se dispõe a participar de campanhas educativas

Publicado: 20/11/2015 às 11:00

"Sinceramente, penso que eram uns caras malucos, pois não acredito que ninguém, em sã consciência, seja capaz disso", disse Mari Paraíba, jogadora de vôleiDestaque do Minas – que hoje enfrenta o Brasília, às 19h30, no Ginásio do Mackenzie, pela Superliga Feminina de Vôlei –, Mari Paraíba soltou uma bomba, mas não dentro de quadra, num treino ou jogo, e sim fora dela: revelou ter sido vítima de assédio sexual, quando criança. E não foi apenas uma vez. Mari conta que a primeira vez foi quando estava em sua casa, em Campina Grande, na Paraíba. Os pais haviam saído para trabalhar e ela, então com sete anos, ficou em casa. Um carro parou na porta de sua casa e o motorista começou a chamá-la. “Falava umas coisas que eu não entendia bem. Eu estava no portão e ele dentro do carro, de janela aberta. De repente, mostrou a genitália. Corri pra dentro e comecei a gritar por meu pai. Sabia que ele não estava em casa, mas queria que o homem pensasse que sim. Ele foi embora”

A segunda vez foi quando ela era estudante e, ao caminhar pela praia, um homem, que estava num matagal próximo começou a gritar e se masturbou. Mari conta que tratou de sair do local correndo. “Também não aconteceu nada.”
Para Mari, que vive um dos melhores momentos da carreira (foi prata nos Jogos Pan-Americanos de Toronto este ano com a Seleção Brasileira) falar desse assunto é natural. “Por sorte, em nenhuma das vezes, nem fui tocada. Não me envergonho de tocar nesse assunto agora, principalmente por ser um momento em que existe uma campanha contra esse tipo de coisa.”

Mari diz que até faria parte de campanhas educativas, caso fosse convidada. E que nenhum dos fatos lhe causou trauma: “Tanto que nem sequer falei sobre isso com meus pais. Só agora estou tocando no assunto. Também acho que não adiantaria falar, pois não conhecia as pessoas que fizeram aqueles atos. Sinceramente, penso que eram uns caras malucos, pois não acredito que ninguém, em sã consciência, seja capaz disso”.

MAIS JOGOS Não só o feminino do Minas estará em quadra hoje. O Praia, de Uberlândia, busca a terceira vitória consecutiva e a manutenção da invencibilidade, contra o Pinheiros, às 21h30 (com transmissão do Sportv), na capital paulista. No torneio masculino, o Cruzeiro tenta a reabilitação, contra o Paquetá, às 20h, no Rio Grande do Sul. A Raposa vem de derrota para o Bento Gonçalves-RS, na casa do adversário, por 3 a 0, em jogo adiado da primeira rodada. O UFJF será o adversário do Bento hoje, também às 20h. Na abertura da terceira rodada, na noite de quarta-feira, o Montes Claros, mesmo jogando no Norte de Minas, perdeu a primeira na competição: 3 a 0 para o São José.


MEMÓRIA
O trauma de Joanna Maranhão

O caso de Mari Paraíba não é o primeiro envolvendo uma atleta a se tornar público. Em fevereiro de 2008, Joanna Maranhão denunciava que muito antes de se tornar uma nadadora de ponta, sofrera abuso sexual de um antigo técnico. O nome foi mantido em sigilo por alguns dias, até que a mãe de Joanna, Terezinha Maranhão, revelou a identidade: era Eugênio Miranda, técnico de natação do Clube Português, no Recife. Como a atleta, de oito anos, estava evoluindo, os pais de Joanna passaram a confiar cada vez mais no treinador, quando ocorreram os abusos. Dias depois de formalizada a queixa, duas nadadoras procuraram a imprensa pernambucana para dizer que também teriam sido vítimas do mesmo técnico. Ele foi afastado do Colégio Santa Emília, onde dava aulas de natação. (ID)
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