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Lenda viva do frevo, Claudionor Germano relembra auge da carreira
Aos 92 anos, intérprete que fez história no país e levou o ritmo tradicional pernambucano ao mundo fala em entrevista exclusiva com o Viver sobre seus maiores sucessos
Publicado: 01/03/2025 às 06:00
(Foto: Priscilla Melo)
Através dos olhos emocionados de Claudionor Germano é possível enxergar um longo túnel do tempo. Nele, uma completa e gloriosa passagem da história do frevo pernambucano vira filme — e na trilha estão todos os sons do carnaval. O mestre entre os mestres, que se tornou um dos maiores intérpretes do estado e bateu o recorde de músicas gravadas de um só autor (Capiba, com 138 faixas) está hoje com 92 anos, quase 80 de carreira, e nunca deixa de celebrar o legado deixado não apenas para a festa de Momo, mas para todos os músicos que seguiram a seu caminho.
Irmão do artista plástico Abelardo da Hora e pai orgulhoso do também cantor de frevo Nonô, com quem realizou inúemras apresentações em conjunta, Claudionor já foi representante comercial de uma vinícolas, passou por cargos públicos, chegando a ser até superintendente do Ginásio de Esportes Geraldo Magalhães ("Geraldão"). Mas o amor pela música evocada pelos seus ídolos sempre guiu seus caminhos. Sua carreira, afinal, começou cedo: oficialmente, em janeiro de 1945, quando cantou para no Teatro de Santa Isabel aos 13 anos de idade, levado pela madrinha Lília Regueira Costa.

No conjunto musical Ases do Ritmo, na Rádio Clube de Pernambuco, em 1947, ele deu o ponto de partida em uma carreira de reconhecimento mundial. Em 1959, já como cantor solo, marcou uma virada na sua carreira com um dos mais importantes álbuns de toda a discografia brasileira: Capiba — 25 Anos de Frevo, interpretando as canções do compositor-título ao som da orquestra do maestro Nelson Ferreira e do coral Mocambo, da gravadora Rozenblit. Os dois grandes mestres eram ídolos do jovem cantor, que, no entanto, destaca sempre o peso de Capiba e das suas músicas na tradição do carnaval pernambucano.
"Há quem diga, com toda razão, que existe um carnaval antes e um depois de Capiba. Mas, por mais especiais que sejam as músicas que ele fez para o 25 Anos de Frevo, tem outras composições dele ainda mais marcantes. É de de uma importância imensa para mim e para todo o carnaval do estado e, com certeza, brasileiro", enfatiza Claudionor em entrevista exclusiva concedida ao Viver, mostrando em mãos outros discos emblemáticos, como a coleção de O Bom do Carnaval e seus volumes.
Relembrando o auge de sua carreira, com apresentações pelo Brasil e pelo mundo — incluindo shows nos Estados Unidos, no Japão e em diferentes países europeus —, o intérprete se emocionou e verteu lágrimas ao listar os grandes nomes que enalteceram seu trabalho, com destaque para um elogio célebre de Ariano Suassuna descrito por ele como inesquecível.

"Eu fico muito feliz com todos esses elogios e honraria que as pessoas dizem e me dão principalmente porque eu vejo que é dito com muita espontaneidade e seriedade. Nunca vou me esquecer de quando Ariano me colocou entre os melhores cantores do país. E não só ele: já chegaram a me listar entre as três maiores estrelas da música mundial, junto com Carlos Gardel e Amália Rodrigues", comentou na entrevista, sem nenhuma modéstia, já em um tom de voz brincalhão. "Foi um presente poder manter essa turminha boa que eu tenho: são sete filhos, doze netos e onze bisnetos. Essa turma vai poder ver e dar continuidade ao resultado desse trabalho".
Apesar de ter levado o frevo para todos os cantos do mundo, como diz o próprio, ele nunca quis deixar o Recife e mora com a esposa, Maria Lúcia da Hora, há cerca de 50 anos no mesmo apartamento. Ultimamente, devido a questões de saúde, tem permanecido mais tempo em casa, mas não deixa de participar das grandes festas do carnaval. Este ano, ele marcou presença novamente ao Baile Municipal, tendo frequentado todas as 59 edições da festa tradicional.
No fim da entrevista, Maria Lúcia revelou ao Viver que esta semana representou um novo marco na vida do casal. "Pude acompanhá-lo por todas as fases da carreira e ver esse sucesso enorme que ele conquistou, sempre ao lado dele. Completamos nesta semana as nossas bodas de diamante: 60 anos de casados e muita história para contar", comemora.
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