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Cinema

Um Oscar, várias línguas

Representante do Japão no prêmio da Academia, 'Dias perfeitos' é destaque entre indicados a melhor filme internacional em cartaz neste fim de semana; lista inclui ainda longas da Alemanha, Itália, Espanha e Reino Unido

Publicado em: 02/03/2024 06:30 | Atualizado em: 02/03/2024 10:46

Filme é um olhar delicado sobre a felicidade plena de alguém que enxerga em cada passo da sua rotina prosaica um novo motivo para sorrir (Divulgação)
Filme é um olhar delicado sobre a felicidade plena de alguém que enxerga em cada passo da sua rotina prosaica um novo motivo para sorrir (Divulgação)
Todos os dias, Hirayama (Koji Yakusho ) acorda cedo, cuida de suas plantas, respira fundo em frente de casa e segue para trabalhar limpando os banheiros públicos de Tóquio. O homem de meia idade leva uma vida completamente analógica, quase não fala uma palavra, carrega consigo uma câmera fotográfica antiga para registrar coisas que lhe chamam a atenção e houve frequentemente músicas no carro que dizem mais sobre a sua vida do que ele mesmo. No meio dessa vida tão modesta, surgem alguns encontros que passam a desestabilizar Hirayama – e trazem de volta algumas coisas do passado.

Produção japonesa comandada pelo alemão Wim Wenders (Asas do desejo; Paris, Texas) e indicada ao Oscar de melhor filme internacional, Dias perfeitos, em cartaz, é um olhar delicado sobre a felicidade plena de alguém que enxerga em cada passo da sua rotina prosaica um novo motivo para sorrir. Tal qual o protagonista, portanto, o longa mostra essas ações mundanas como pequenos-grandes acontecimentos e é tão satisfatório ver esse amor pelo tempo presente preenchendo Hirayama quanto é dolorido testemunhar a sutil quebra dessa tranquilidade.

Wenders filma Tóquio de forma tão realista e movimentada que a calma e suavidade do personagem (na realização de uma função frequentemente tão invisibilizada como a faxina) funcionam como um oásis, que, vez por outra, revela também pequenas surpresas. É como se o olhar estrangeiro do diretor fosse sempre de fascínio pelo que cada canto mais simplório pode oferecer de história ou de sensação. Dias perfeitos jamais intenta suavizar ou glamourizar a rotina árdua de trabalhadores da limpeza, mas busca conexão emocional em um mundo que frequentemente pode passa por cima da mais poética das coisas sem se dar conta.

Demais indicados:
A sala dos professores (ALEMANHA) – EM CARTAZ
Drama dirigido por Ilker Çatak mostra uma professora de matemática que chega em uma nova escola, na qual um de seus alunos é acusado de roubo. Vendo-se impossibilitada de ficar indiferente de uma provável injustiça, ela decide montar um esquema de investigação para descobrir a verdade, o que acaba abalando toda a escola e envolvendo também os pais dos alunos. Filme ambienta trama em situações realistas de sala de aula, mas rapidamente ganha complexidade, em que a atuação emotiva de Leonie Benesch no papel da professora ganha cada vez mais destaque.

Eu, capitão (ITÁLIA) – EM CARTAZ
No longa do diretor Matteo Garrone, dois irmãos senegaleses apaixonados por futebol e que, sonhando com condições melhores de vida e trabalho, decidem deixar sua terra-natal e migrar para a Itália. O percurso, porém, se revela muito mais complicada tanto do ponto de vista físico quanto na jornada existencial que há pela frente. Com uma abordagem constantemente atrelada a elementos fantásticos, já vistos na filmografia do cineasta italiano, o longa foi premiado na categoria de melhor direção no Festival de Veneza, em 2023. 

Zona de interesse (REINO UNIDO) – EM CARTAZ
Indicado também ao Oscar de melhor filme, direção, roteiro adaptado e som –  portanto, franco-favorito na categoria de filme internacional –, o longa baseado no livro homônimo e dirigido por Jonathan Glazer acompanha o dia a dia da família do administrador logístico de Auschwitz, durante a Segunda Guerra Mundial. Dividindo apenas uma parede com o mais brutal de todos os campos de concentração nazistas, a esposa, marido e filhos vivem uma vida idílica e perfeita, completamente indiferentes ao horror que se passa do outro lado.

A sociedade da neve (ESPANHA) – Netflix
Inspirado na trágica e história real já antes adaptada para o cinema com o norte-americano Vivos (1993) e dirigido por J. A. Bayona, o filme trata do caso ocorrido em 1972, no qual um voo uruguaio fretado que levava uma equipe chilena de rugby caiu no meio dos Andes. Dos 45 passageiros, apenas 29 sobreviveram não apenas ao acidente, mas as condições de frio extremo enfrentadas por dias sem água ou comida. Em abordagem emocional e carregada, o diretor especialista em narrativas de catástrofe mostra em detalhes o sofrimento e as medidas chocantes a que a tripulação teve de recorrer.

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