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Cinco décadas de realeza

Às vésperas de mais um show no Recife, Alcione celebra 50 anos de carreira e diz que tal feito só foi possível por causa da fidelidade de seus admiradores

Publicado em: 04/03/2024 06:00 | Atualizado em: 04/03/2024 07:34

Nesses 50 anos Alcione gravou 42 álbuns e ganhou 26 discos de ouro, sete de platina e dois de platina duplos (Foto: Vinicius Mochizuk/ Divulgação)
Nesses 50 anos Alcione gravou 42 álbuns e ganhou 26 discos de ouro, sete de platina e dois de platina duplos (Foto: Vinicius Mochizuk/ Divulgação)
Pedro Cunha
Especial para o Diario

No Brasil, para um artista, chegar aos 50 anos de carreira é um feito e tanto.  Para Alcione, parte inegável da realeza da música nacional, trata-se de um marco, não pretendendo deixar os palcos, nem o estúdio. A Marrom tem rodado o país em turnê comemorativa de cinco décadas que, de forma original, une elementos do samba e do jazz a canções de estilos diversos interpretadas com sua marca registrada: o timbre inconfundível e um fraseado melódico. 

“Essa é uma celebração que só se tornou possível porque os meus fãs sempre mantiveram-se fieis. Sempre me acompanharam nessa trajetória. Devo tudo ao público, ele me ajudou a construir uma carreira tão longeva e, felizmente, exitosa. Minha avaliação só poderia ser muito positiva”, conta Alcione ao Diario. A cantora se apresenta no sábado, 9 de março, no Mirante do Paço. 

Considerada ‘A Voz da América Latina’ pela ONU, a Marrom diz que jamais imaginou que seria uma artista vitoriosa. “Tudo foi acontecendo aos poucos. Gradativamente, fui percebendo que as coisas estavam caminhando bem. Tinha um sonho, mas a realidade extrapolou todas as minhas expectativas. Jamais pensei que conseguiria chegar aonde cheguei. Apenas queria ser uma cantora popular e viver da minha arte”, revela. 

Com 76 anos de idade e um legado de fazer inveja, nesses 50 anos Alcione gravou 42 álbuns e ganhou 26 discos de ouro, sete de platina e dois de platina duplos. Também trilhou uma sólida carreira internacional, com apresentações em mais de 36 países, além de receber o Grammy Latino em 2003 na categoria melhor álbum de samba. Sobre o extenso currículo, Marrom é enfática: “Anos de muitas batalhas e trabalho exaustivo porque optei por construir uma carreira, e não em tornar-me apenas uma cantora fadada ao sucesso”. 

Racismo

Alcione não leva desaforo para casa, principalmente quando o assunto é racismo. Nessas cinco décadas, ela diz já ter sido vítima de preconceito contra a sua cor, mas isso não foi motivo para desânimo. Um dos episódios ocorreu no início da carreira, quando ela e o guitarrista foram proibidos de entrar num clube para se apresentar. 

“Jamais me curvei. Sempre andei de cabeça erguida porque não trago marcas de chicotes nas costas. Aprendi, desde cedo, com meus pais, a ter autoestima”, afirma. “Não sei se precisamos de mais leis ou, simplesmente, de buscar o cumprimento real delas. Essas pessoas não podem continuar praticando crimes e  impunes por aí”.  

Paixão pela verde e rosa

Pode-se dizer que o amor entre Alcione e a Mangueira foi recíproco. “Uma ligação desde que cheguei ao Rio, ao conhecer a quadra da Estação Primeira. Mas já me chamava a atenção desde os tempos em que morava em São Luís. Foi paixão instantânea, à primeira vista”, lembra. 

A escola de samba homenageou a cantora em seu desfile do carnaval deste ano. A artista subiu o Morro da Mangueira, um dos berços do samba e da cultura carioca, há 50 anos, quando ainda era uma jovem de 26. Foi Alcione quem sonhou e fundou a Mangueira do Amanhã, escola mirim que descobre e forma talentos no samba e ajuda crianças na educação escolar. “Acredito que seja uma coisa espiritual. Acredito nos caminhos que a vida leva a gente. Foi um chamado”, diz a sambista sobre a criação. 

Na apresentação no Mirante do Paço, Alcione vai trazer sucessos de toda a carreira e promete surpresas. Os hits que marcaram o público ao longo das cinco décadas, a exemplo de ‘Estranha loucura’, ‘Meu ébano’, ‘Meu vício é você’, ‘Não deixe o samba morrer’, ‘Você me vira a cabeça’, ‘A Loba’ e ‘Gostoso veneno’, são algumas das músicas do repertório. Os ingressos podem ser adquiridos em lojas físicas da Esposende e no site Bilheteria Digital com valores a partir de R$ 150.

Tags: alcione | música | samba | show |

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