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CINEMA

Com 'Pluft, o Fantasminha' cinema nacional em 3D ganha um marco

Publicado em: 21/07/2022 08:23 | Atualizado em: 21/07/2022 08:28

 (Foto: DownTown filmes/Divulgação)
Foto: DownTown filmes/Divulgação
Uma responsabilidade forte cerca a produção para cinema de Pluft, o Fantasminha, que, depois de seis anos, alcança o público, distribuído em 450 salas e orçado em R$ 12,5 milhões. Saído de peça assinada por Maria Clara Machado, morta há 21 anos, e que foi fundadora de uma instituição com mais de 70 anos — o Teatro Tablado —, o filme, protagonizado por um fantasma tímido, dá continuidade a um tipo de dramaturgia única para as crianças, nunca as fazendo de "bobinhas", como bem observou a crítica teatral Barbara Heliodora.

Visualmente estimulante no formato 3D, Pluft trouxe os maiores desafios para a diretora Rosane Svartman e para a produtora Clélia Bessa. "'Responder como traduzir a mágica do teatro para o cinema' foi a chave da adaptação. Precisávamos, no fundo, contar uma boa história, e que deixasse as crianças torcendo. Fazer um fantasma sem uma computação gráfica pesada levou ao encontro do universo de Georges Méliès, cineasta e mágico. Usamos truques de fio de nylon, motion capture (para movimentos animados em 3D) e  maquetes nas filmagens. Pelo número de colaboradores dedicados, temos lista de créditos (no filme) que dura 12 minutos", observa Svartman.

Associada não apenas aos direitos autoriais de Maria Clara, e herdeira intelectual da escritora, a corroteirista Cacá Mourthé, que, no passado, montou e dirigiu peças com a mestra, levou mais de dois anos desenvolvendo o roteiro, ao lado de José Lavigne, que atua, ainda, em frente à câmera, na pele de Tio Gerúndio. "Maria Clara é uma contadora de histórias de mão cheia. É um texto sensacional: ela é nossa grande dramaturga de teatro infantil. Pluft é um patrimônio por sintetizar muito do imaginário da Maria Clara e ter um séquito de admiradores", comenta Svartman. A diretora ressalta que a poesia de Maria Clara foi elemento norteador. "Muito perdura, e faz sentido até hoje. O filme é sobre o medo: o fato de o Pluft (um fantasma) tem medo do que é diferente — mas, ao mesmo tempo, trata de afeto: a Maribel (uma menina sequestrada pelo pirata Perna-de-Pau) faz Pluft ter coragem para enfrentar o medo, e estender a mão para ela. O filme fala de empatia e de se olhar para o medo. É sobre amadurecer e as escolhas feitas", detecta.

Na pele do pirata, o ator brasiliense Juliano Cazarré enfatiza aspectos atemporais de renovação do real tesouro resguardado pelo imaginário infantil. "O pirata é feio, bravo e malvado. E a Maribel e o Pluft são bonitos, fofos, bonzinhos e corajosos. É um conto de fada, em que o bem é bem e o mal é mal. Isso é muito importante na formação da criança", avalia Cazarré, atualmente, visto na novela Pantanal.

Intérprete do personagem Sebastião, um aguerrido marinheiro, Arthur Aguiar reitera o papel de resgate da inocência da criança, a cargo do filme. "Há muita informação, e as crianças estão muito avançadas. Acho que há pulos de etapas. O Pluft traz a essência mais lúdica: o lado mais legal de ser criança", pontua. Ele crê que os pais vão se identificar com o tempo em que eram crianças e tinham contato com obras que priorizavam a inocência, num modo leve e divertido.

Ao lado de Arthur, abastecido por experiências teatrais, Hugo Germano defendeu o personagem Julião, outro integrante "no jogo, que funciona", tendo um terceiro vértice:  no papel de João, Lucas Salles, cria da ala humorada do Tablado em que se inscreveu aos 12 anos. "Creio que os três sejam apenas um só personagem. Nós nos inspiramos em Os Três Patetas. O espectador infantil nota a verdade em cena, até mesmo no estilo pastelão. No estilo do clown, há o tipo branco, um valentão que pensa estar sempre certo, e o augusto, que é o ingênuo, sempre atrapalhando o que o branco quer fazer. No filme, Sebastião é gerente e o João, que não sabe nada, só quer ir embora, sem se arriscar", demarca Lucas atento para a riqueza da autora de clássicos como O Dragão Verde. "Precisamos ter o MCU dela, o Maria Clara Machado Marvel Universe", brinca Lucas Salles.

Livre e leve
 
Cenas subaquáticas trouxeram a fluidez visual necessária para dar o tom de leveza presente nos personagens fantasmagóricos, para a produção bem imersiva do 3D. Com tecnologia 100% nacional, houve o cuidado de não se perder o tom artesanal que sustenta atrações teatrais; tudo alinhavado pelo coordenador de pós-produção Juca Diaz e pela supervisão de efeitos visuais de Sandro Di Segni. Tendo por eixo a prerrogativa inventiva do cinema brasileiro e muita organização, Pluft mobilizou, em cenas imersivas (numa piscina), por duas semanas, o autocontrole do corpo e das emoções dos atores. Chamado de "peixinho", o ator Nicolas Cruz (no papel-título) tinha 10 anos, quando das filmagens, conta das diversões. "Por um ou dois meses, tivemos belo trabalho com o Corpo de Bombeiros, em Franco da Rocha (SP). Quando criança, não vi muita coisa da Maria Clara; mas surgiu o entusiasmo, e fiquei querendo conhecer. Nas preparações, conheci o trabalho desenvolvido no Tablado (que formou de Louise Cardoso a Marcelo Serrado, passando por Andréa Beltrão) e muitas histórias e documentos da peça de 1955", explica.

Nicolas demarca que Pluft se sacrifica um pouco para salvar a melhor amiga (Maribel). "Ele ensina que, às vezes, temos que enfrentar os nossos medos, para guardar as pessoas que amamos", diz. Respeito a diferenças e ideal de renovação na formação de plateia para cinema impulsionam Pluft, que conta com trilha sonora de Tim Rescala. Encantada por Pluft, depois de um espetáculo visto no Teatro Municipal carioca, aos sete anos, a atriz Lola Belle, no cinema, interpreta Maribel, neta de um capitão do mar. "Foi meu primeiro trabalho, lembro como estava tímida e com medo, numa leitura de mesa feita no Tablado, e cheguei a acreditar que as ações estivessem realmente acontecendo. Isso ajudou a interpretar com maior verdade", demarca. Lola Belle percebe Maribel como uma heroína, apesar de algumas inseguranças. "Talvez a frase da Maribel que mais a representa seja a dita para o Pluft: 'Você não sabe do que nós, meninas, somos capazes'. Nessa abordagem contemporânea, ela é uma menina forte, empoderada. Ela inspira, para que o medo seja vencido com coragem e afeto", comenta.

Com mais de 10 anos de intimidade com teatro infantil, Fabíula Nascimento, à frente de Dona Fantasma (a mãe de Pluft), contou com apoio de mergulhadores, nas filmagens que criaram o efeito da levitação, numa piscina com mínimo de cloro, a sete metros da superfície e com dez quilos a mais presos às vestimentas e ao corpo. "Foi um trabalho de atleta e técnico master", diverte-se Fabíula, ao falar da vontade de realizar algo inédito e lindo, com paz de espírito. Trazendo como modelos fitas como O Menino Maluquinho e atrações de Os Trapalhões e Turma da Mônica, Fabíula completa: "A partir do momento em que algo entra no seu imaginário, você nunca mais esquece — cresce com aquelas referências. A arte traz muito isso para a gente e é daí que nasce a vontade de ser feliz".
 
 (Foto: DownTown filmes/Divulgação)
Foto: DownTown filmes/Divulgação
 
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