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Com queda de ações, Twitter é desafio para império de Elon Musk

Publicado em: 27/04/2022 08:12

 (Foto: Olivier DOULIERY / AFP)
Foto: Olivier DOULIERY / AFP
As ações da Tesla, principal empresa do bilionário Elon Musk, tiveram queda de quase 12%, na terça-feira (26/4), um dia após ele ter anunciado um acordo para a compra do Twitter por US$ 44 bilhões. A retração refletiu a intenção do magnata, considerado o homem mais rico do mundo, com uma fortuna pessoal estimada em US$ 323 bilhões, de vender parte de suas ações na Tesla para financiar a aquisição do Twitter. Com a baixa das ações, a companhia de carros elétricos teve uma redução de US$ 126 bilhões no seu valor de mercado, em um único dia.

Elon Musk chegou a promover uma pesquisa, por meio do Twitter, para saber a opinião dos usuários sobre a proposta de vender cerca de 10% de sua participação na montadora de carros elétricos na China. A enquete recebeu mais de 3,5 milhões de votos e 57,9% das pessoas votaram sim para a proposta de venda das ações.

No fechamento da bolsa de tecnologia Nasdaq, às 18h de ontem, as ações da Tesla recuavam 11,99%. A queda bilionária de valor da companhia foi responsável por garantir à Tesla o pior desempenho entre todos os nomes listados no S&P 500 (índice que reúne as 500 maiores companhias listadas nos EUA), que registrou queda de 2,34% ontem. Em 2022, porém, a companhia acumula alta de 41,66%.

A Tesla está entre as empresas de capital aberto mais valiosas do mundo, avaliada em mais de US$ 900 bilhões. Musk pretende financiar a compra do Twitter com US$ 13 bilhões em empréstimos dos maiores bancos de Wall Street, além de usar um crédito de US$ 12,5 bilhões garantido por sua participação na Tesla. Restariam US$ 21 bilhões a pagar, que seriam levantados com a venda das ações da montadora.

 (Foto: AFP)
Foto: AFP

De acordo com informações da imprensa norte-americana, Musk e dirigentes do banco de investimentos Morgan Stanley têm sondado outros investidores que possam se interessar por uma participação do Twitter.

Nova política
 
Além de especulações sobre as estratégias financeiras de Elon Musk, a compra do Twitter gerou dúvidas sobre o futuro da plataforma digital. Após o acordo com os acionistas controladores da rede social, Musk emitiu um comunicado dizendo que queria eliminar os spammers e promover a liberdade de expressão — o que provocou reações favoráveis dos conservadores em todo o mundo, incluindo, no Brasil, seguidores do presidente Jair Bolsonaro. Ele anunciou ainda que pretende fechar o capital da empresa. Com isso, terá mais liberdade para agir fora do olhar dos acionistas públicos.

Angelo Carusone, executivo-chefe da organização norte-americana sem fins lucrativos Media Matters for America, disse que a visão de Musk sobre a liberdade de expressão era "confusa", porque eleva todas as informações igualmente, incluindo visões potencialmente extremas e desinformação. "O Twitter tem sido uma vanguarda quando se trata de política", disse Carusone. "Eu me preocupo com o que isso fará com o resto da paisagem."

Repercutindo as preocupações sobre as novas políticas de conteúdo do Twitter, dirigentes da União Europeia se preocuparam em traçar limites para a atuação de Musk. De acordo com o comissário europeu para o Mercado Interno, Thierry Breton, a plataforma "terá que se adaptar totalmente às regras europeias", em matéria de liberdade de expressão, independentemente das orientações que o bilionário venha dar a ela. Recentemente, as autoridades europeias concluíram uma nova regulamentação que obriga as grandes plataformas a melhorar o controle sobre conteúdos ilegais, como pornografia infantil e apelo a atos terroristas.

Em dezembro do ano passado, Elon Musk foi eleito "Pessoa do Ano" pela revista Time. Cinco meses depois, ele já começa a ser considerado a pessoa mais poderosa do mundo. Dificilmente outro empresário exerceu tanta influência sobre indústrias que operam em áreas tão amplas da vanguarda tecnológica, com o poder de definir o futuro da economia global: mídia social, viagens espaciais, direção autônoma, transporte elétrico e inteligência artificial.

Ontem, o segundo homem mais rico do mundo, Jeff Bezos, criador da Amazon, foi ao Twitter questionar se a China passaria a ter maior influência no controle da rede social, depois que ela for comprada por Musk. Bezos repostou o tweet de um repórter do The New York Times que levanta dúvidas se a China terá mais influência sobre o Twitter, agora que a plataforma foi comprada por seu rival. Segundo mercado da Tesla, o governo chinês baniu o Twitter de seu território em 2009. Mike Forsythe insinua que, para manter a boa relação comercial, Musk pode se tornar mais suscetível à pressão das autoridades chinesas sobre a plataforma.

Bezos retuitou dizendo que era uma pergunta "interessante". E complementou: "O governo chinês acabou de ganhar um pouco de influência sobre a praça da cidade?". E seguiu argumentando: "Minha própria resposta a essa pergunta é 'provavelmente não'. O resultado mais provável a esse respeito é a complexidade para a Tesla na China, em vez de censura no Twitter. Mas vamos ver. Musk é extremamente bom em lidar com esse tipo de complexidade", apostou.

Outro ponto que provoca muitas especulações é se Musk vai usar o Twitter para passar por cima das determinações da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês). Em 2018, a agência federal de regulamentação e controle dos mercados financeiros chegou a proibi-lo de fazer postagens sobre assuntos relacionados à sua empresa automotiva, a Tesla, depois que um tuíte fez o preço das ações da companhia despencar US$ 14 bilhões.
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